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Entender fases da soja ajuda a elevar produtividade

Entenda as fases vegetativas e reprodutivas da soja


Foto: Pixabay

O conhecimento sobre as fases de desenvolvimento da soja é um dos fatores que influenciam diretamente a produtividade da cultura. Desde a emergência até a maturação, cada etapa exige decisões específicas de manejo, como o momento de realizar adubação, controlar pragas, doenças e plantas daninhas, além de definir o período mais adequado para a colheita.

As recomendações técnicas adotam a classificação dos estádios vegetativos (V) e reprodutivos (R), amplamente utilizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e por universidades. Embora as condições climáticas variem entre as regiões produtoras, os princípios fisiológicos da planta e os períodos considerados mais sensíveis permanecem os mesmos, servindo como referência para o manejo em diferentes ambientes de cultivo.

As fases vegetativas representam o período de estabelecimento da planta e formação de sua estrutura. Elas compreendem os estádios que vão da emergência (VE) até a emissão dos nós e folhas (Vn), sendo divididas em quatro momentos principais para facilitar o manejo da cultura.

Na etapa de emergência e estabelecimento inicial, entre VE e VC, ocorre a germinação da semente, o desenvolvimento do hipocótilo, a emergência da plântula e a expansão dos cotilédones. Nesse período, o sistema radicular começa a se formar, tornando fundamental a presença de solo com boa estrutura física, umidade adequada e ausência de barreiras ao crescimento das raízes. Também é uma fase sensível à qualidade da semeadura, às condições de temperatura e umidade do solo e à ocorrência de pragas e doenças iniciais, já que falhas no estande podem comprometer o potencial produtivo da lavoura.

Entre V1 e V3, a soja inicia o crescimento vegetativo com a emissão das primeiras folhas trifolioladas e a formação da arquitetura inicial da planta. Nesse estágio, aumentam a área foliar, a atividade fotossintética e o aprofundamento das raízes. Também ocorre a intensificação da absorção de nutrientes e o estabelecimento da associação com bactérias fixadoras de nitrogênio, quando a inoculação é conduzida de forma adequada. Deficiências nutricionais, fitotoxicidade causada por herbicidas ou competição precoce com plantas daninhas podem reduzir o número de nós produtivos e limitar o desenvolvimento da cultura.

A partir de V4, a planta passa por uma fase de rápida expansão vegetativa e maior acúmulo de biomassa. Com um sistema radicular mais desenvolvido, a soja amplia sua área foliar e aumenta a capacidade de realizar fotossíntese, condição que será importante para sustentar o enchimento dos grãos. Nesse momento, a competição por água, luz e nutrientes se intensifica, e ataques de insetos desfolhadores, doenças foliares ou alta infestação de plantas daninhas podem reduzir a interceptação de luz e comprometer a formação das estruturas reprodutivas.

Na transição para o florescimento, conhecida como pré-R1, a soja se aproxima da fase reprodutiva. Conforme o grupo de maturação da cultivar e as condições de fotoperíodo, a planta define o número potencial de flores e, posteriormente, de vagens. Nessa etapa, ajustes relacionados à população de plantas, arquitetura do dossel e sanidade foliar tornam-se decisivos, assim como a disponibilidade de água e nutrientes, já que estresses prolongados podem antecipar a senescência das folhas e reduzir o crescimento da planta.

As fases reprodutivas compreendem o período entre o florescimento e a maturação dos grãos. Os estádios R1 a R8 representam os momentos em que a planta passa a direcionar energia para a formação de flores, vagens e sementes, exigindo maior atenção às condições ambientais e ao manejo fitossanitário.

O início e o pleno florescimento, representados por R1 e R2, marcam o surgimento das primeiras flores abertas e o aumento da quantidade de estruturas florais. É uma etapa em que a cultura se torna mais sensível aos estresses ambientais. O abortamento de flores depende de fatores como disponibilidade de água, temperatura, radiação solar e nutrição. Por isso, controlar pragas sugadoras e doenças que afetam estruturas reprodutivas é essencial para preservar o potencial produtivo da lavoura.

Durante R3 e R4 ocorre a formação e o enchimento inicial das vagens. Nesse período, definem-se grande parte das vagens que chegarão à colheita, embora ainda ocorram abortamentos provocados pela limitação de água, nutrientes e fotoassimilados. Essas fases são consideradas entre as mais críticas do ciclo da soja, exigindo boa disponibilidade hídrica e manutenção da sanidade foliar para garantir o desenvolvimento das estruturas reprodutivas.

Nas fases R5 e R6 acontece o enchimento dos grãos. A planta passa a concentrar a maior parte dos carboidratos produzidos pela fotossíntese nas sementes, ao mesmo tempo em que mobiliza reservas acumuladas em folhas e caules. A manutenção da área foliar é determinante nesse estágio, já que doenças, desfolha provocada por insetos ou déficit hídrico podem reduzir o peso dos grãos e comprometer a produtividade final.

Em R7 e R8, a soja atinge a maturação fisiológica e a maturação plena. Os grãos acumulam o máximo de matéria seca e as vagens passam a apresentar a coloração característica da maturação. A partir desse momento, o foco do manejo deixa de ser o desenvolvimento da cultura e passa a ser a preservação da qualidade da colheita, com atenção ao momento de entrada das máquinas e à regulagem da colhedora para reduzir perdas de grãos.

As diferentes fases do desenvolvimento da soja estão diretamente relacionadas às práticas de manejo adotadas na lavoura. Cada estágio exige prioridades distintas, desde o estabelecimento inicial das plantas até a definição do momento ideal para colher, tornando o acompanhamento do ciclo uma ferramenta importante para orientar as decisões técnicas no campo.

Durante o estabelecimento inicial, entre VE e V3, a prioridade é garantir boa emergência, controlar pragas de solo e plantas daninhas e acompanhar a eficiência da inoculação. Na expansão vegetativa, entre V4 e o pré-R1, o foco passa a ser a manutenção da sanidade foliar, o controle de plantas daninhas remanescentes e de pragas desfolhadoras, além da observação do crescimento da cultura.

No florescimento e na formação das vagens, entre R1 e R4, a principal preocupação é preservar flores e estruturas reprodutivas por meio do monitoramento constante de pragas, doenças e disponibilidade de água. Já entre R5 e R6, durante o enchimento dos grãos, manter o dossel foliar ativo e reduzir estresses hídricos ou nutricionais torna-se fundamental para assegurar o peso das sementes.

Na maturação, entre R7 e R8, o manejo concentra-se na definição do momento adequado para iniciar a colheita e na redução das perdas causadas pela abertura das vagens ou por danos mecânicos. Em todas as etapas, o desenvolvimento da cultura deve ser analisado em conjunto com fatores como clima, histórico da área, características da cultivar e presença de estresses específicos de cada safra.

Como orientação prática, a fase vegetativa é responsável pela formação da estrutura que sustentará a produção da planta. A transição para o florescimento representa a passagem do crescimento para a formação das estruturas reprodutivas, enquanto R1 a R4 definem boa parte do número de vagens por planta. Já R5 e R6 são decisivos para o peso dos grãos e R7 e R8 concentram as ações voltadas à preservação da qualidade da colheita.

Apesar de a sequência dos estádios vegetativos e reprodutivos ser semelhante nas diferentes regiões produtoras, a duração de cada fase e a resposta da planta aos estresses variam conforme o clima, o tipo de solo e a cultivar utilizada. Por isso, o acompanhamento fenológico em campo, aliado à assistência técnica, continua sendo essencial para adequar o manejo às condições de cada lavoura. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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