Entressafra ganha valor com lavoura e pecuária
Na prática, a ILP transforma a entressafra em uma fase produtiva
Na prática, a ILP transforma a entressafra em uma fase produtiva - Foto: Joaquim Bezerra
A Integração Lavoura-Pecuária tem ganhado espaço como estratégia para reduzir riscos, diversificar receitas e elevar a eficiência das propriedades rurais. Segundo Luciano Ferreira, especialista em agropecuária regenerativa, o sistema vai muito além de colocar animais em áreas agrícolas e depende de planejamento para gerar resultados consistentes.
Na prática, a ILP transforma a entressafra em uma fase produtiva. Em vez de depender apenas da safrinha de milho, mais exposta a déficit hídrico, geadas e redução da janela de cultivo, o produtor pode formar pastagens de qualidade, produzir carne, recuperar o solo e preparar a área para a cultura de verão seguinte.
Entre os principais efeitos está a maior ciclagem de nutrientes. As forrageiras exploram camadas profundas, recuperam elementos que poderiam ser perdidos e os devolvem à superfície pela palhada e pelos dejetos dos animais. O aumento de raízes e resíduos vegetais também contribui para elevar a matéria orgânica e melhorar as condições físicas, químicas e biológicas do solo.
Com maior cobertura, a infiltração e a retenção de água tendem a crescer, reduzindo os impactos de períodos secos. A presença de raízes vivas durante boa parte do ano ainda estimula a microbiota e favorece organismos importantes para a fertilidade. Parte dos nutrientes consumidos pelo rebanho retorna ao solo por meio das fezes e da urina, aumentando a eficiência do sistema.
Os ganhos dependem de escolhas técnicas, como definição das forrageiras, correção da fertilidade, ajuste da carga animal, controle da altura de pastejo, produção de palhada e rotação de culturas. Quando bem conduzida, a integração pode favorecer a produtividade da soja ou de outra cultura de verão, além de ampliar a rentabilidade sem exigir abertura de novas áreas.