Equinocultura: Mormo preocupa criadores
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Agronegócio

Equinocultura: Mormo preocupa criadores

Casos confirmados no Ceará e em Araçariguama, no interior de São Paulo
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Os casos confirmados de mormo no Ceará e em Araçariguama, no interior de São Paulo, além duas suspeitas em Avaré/SP e outro possível foco ainda em análise no Pará de Minas (MG), colocaram os criadores de cavalos de todo o Brasil em alerta. A doença é perigosa para equinos, asininos, muares e para o homem, por se tratar de uma zoonose, e integra o plano nacional de erradicação epizootias, coordenado pelo próprio Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA), com apoio das Secretarias Estaduais de Agricultura. O mormo é transmitido pela bactéria Burkholderia mallei, não possui tratamento ou cura, podendo gerar grandes impactos econômicos.
 
 “A doença não tem vacinação e os animais acometidos devem ser sacrificados, como prevê a legislação. A única forma de prevenção é evitar o contato entre animais sadios e doentes ou com aqueles que apresentem sintomas semelhantes”, explica o médico-veterinário Ricardo Figueiredo, que assiste a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Campolina (ABCCCampolina). Além disso, em caso de suspeita de foco, o local onde está o animal é interditado para quarentena e o trânsito de animais fica suspendido, com a formação de corredores sanitários, assim como acontece com a febre aftosa em bovinos.
 
“A raça Campolina possui muitos eventos técnicos e comerciais para acontecer, por isso recomendamos que os campolinistas tomem precauções e estejam com as GTAs (Guias de Trânsito Animal) atualizadas, para que não enfrentem dificuldades para deslocar os animais”, adverte Luiz Roberto Horst, presidente da ABCCCampolina. Caso o cavalo esteja saindo de uma área de risco para seguir para exposições, ele precisa fazer o exame preventivo e só poderá circular se o laudo for negativo para a doença, informação que deverá constar na GTA.
 
Quando da suspeita de mormo, o animal é submetido a um exame de rotina chamado fixação de complemento (FC). Mesmo se o resultado for positivo, pode ser realizado um reteste, com a inoculação de maleína (uma proteína sintética), o procedimento mais indicado e definitivo. Foi assim que aconteceu com as duas suspeitas em Avaré/SP, que deram positivo no primeiro teste e negativo no segundo, sendo os animais e o parque de exposições liberados posteriormente. Entretanto, a coleta de amostras e exames só pode ser feita por médicos-veterinários e laboratórios credenciados pela Agência de Defesa Sanitária do estado.
 
Sintomas

A doença se manifesta sob três formas e, normalmente, os muares e asininos são acometidos na forma aguda, enquanto os cavalos, na forma crônica. Na forma nasal, os animais apresentam febre alta, tosse e descarga nasal com úlceras nas narinas, podendo ocorrer úlceras e nódulos nos membros e abdome.

A forma pulmonar, mais comum nos cavalos, pode causar uma pneumonia crônica acompanhada de úlceras na pele dos membros e na mucosa nasal. A forma cutânea se apresenta sob a forma de nódulos e úlceras na região interna dos membros com presença ou não de secreção amarelada escura.
 
A transmissão dá-se por meio do contato com secreções de animais doentes, especialmente a nasal e o pus dos abscessos, que contaminam o ambiente e, principalmente, comedouros e bebedouros. A bactéria também pode penetrar a pele e mucosas, necessitando de cuidados especiais com esporas, freios e arreios.
 
Controle

As medidas de controle e erradicação envolvem:
 
*Sacrifício dos animais positivos às provas de diagnóstico;
*Enterro ou incineração dos cadáveres;
*Desinfecção das instalações e de todo material que esteve em contato com os animais doentes;
*Interdição da propriedade e saneamento do foco;
*Notificação obrigatória de qualquer suspeita ao serviço de defesa sanitária animal do Estado.

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