Equipamentos importados dos EUA confirmam qualidade do algodão mineiro
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Imagem: Marcel Oliveira
ALGODÃO

Equipamentos importados dos EUA confirmam qualidade do algodão mineiro

Investimento de R$ 1,4 milhão possibilita melhoria das análises realizadas no laboratório da Minas Cotton

O laboratório da Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton) sempre esteve entre os melhores do mundo em precisão de análise de fibras de algodão. Para manter este nível de qualidade, em 2020 a central já investiu R$ 1,4 milhão em equipamentos, igualando-se aos laboratórios dos dois gigantes concorrentes do mercado têxtil mundial: China e EUA. Toda essa infraestrutura está sob a responsabilidade da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), que tem apoio governamental por meio do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas).

A maior precisão nas análises obtidas com os novos equipamentos vai ampliar a segurança tanto para os produtores – que garantem um preço justo de acordo com a qualidade de suas fibras –, quanto para a indústria têxtil, que adquire um algodão dentro dos padrões exigidos nos processamentos de seus produtos.

O diretor da Amipa Lício Pena explica que, com a verba obtida junto ao Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), foram trazidos de Atlanta, nos Estados Unidos, novos colorímetros (Retrofits) que foram instalados nos dois equipamentos chamados de HVI (High Volume Instrument), que são capazes de analisar as minúcias de cada fibra de algodão.
“Com o investimento, aumentamos a precisão dos resultados das análises do algodão (Cor e Trash), além de permitir quatro leituras dessas características ao invés das duas que eram possíveis anteriormente”, pontua o diretor da associação.

Ainda conforme Lício, o Brasil tem avançado nos últimos anos para a valorização do algodão no mercado mundial. Mas, para além da qualidade, também é necessário o reconhecimento do mercado comprador. “Com este investimento em análise da fibra, entramos no mesmo patamar das outras duas potências no setor. Isso possibilita que a nossa pluma sofra menos contestação e, consequentemente, menos deságio na exportação”, completa.

O Proalminas, por meio do Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura do Estado de Minas Gerais (Algominas), fornece subsídio aos produtores no custo destas análises, como explica o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Carlos Eduardo Bovo.

“O produtor envia a amostra do algodão para análise com custo subsidiado pelo programa, como forma de incentivo a essa cadeia. Com base nos resultados laboratoriais, o produtor e a indústria têxtil negociam o preço do algodão com maior segurança da qualidade da fibra. É de interesse do Estado que tenhamos um produto certificado e com aceitação nos mercados interno e externo”, lembra o superintendente.

Exportação tem garantido liquidez durante a pandemia

Produtor de algodão na região do Alto Paranaíba há seis anos, o presidente da Amipa, Daniel Bruxel, conta que a indústria do vestuário foi um dos muitos setores afetados pela pandemia e, consequentemente, os produtores de algodão estão sentindo isso na pele, com a diminuição da compra das fibras pelas fábricas nacionais.

“Aqui em Minas, nós, produtores, focamos na exportação este ano para tirar um pouco o algodão e enxugar o mercado interno. Isso está garantindo um pouco de fluidez nos negócios. Definitivamente, a qualidade, comprovada na análise das nossas fibras, é o que possibilita a venda ao mercado externo. O Proalminas é um grande aliado dos produtores e da indústria têxtil, pois apoia a cadeia como um todo. Essa crise não é tão simples, mas tenho certeza que sairemos dela mais fortes e mantendo os empregos e a produção”, afirma Bruxel.

Parceria com o IMA garante mais certificações

Em março deste ano o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), assinou um acordo de cooperação técnica com a Amipa. A parceria visa a certificação de origem e qualidade do algodão estadual pelos próximos cinco anos.

O gerente de certificação do IMA, Rogério Fernandes, detalha que a parceria envolve a contratação de dois profissionais. “Serão contratados estagiários pela Amipa que ficarão sob a supervisão do IMA para atuação na elaboração dos certificados de origem e qualidade. Em contrapartida, o instituto se compromete a atender 100% da demanda de certificados solicitados”, acrescenta.

Para receber a certificação, o produtor deve se associar à Amipa e seguir as orientações para a submissão das amostras de algodão. Depois disso, o IMA atesta os laudos laboratoriais, confere o georreferenciamento e emite o certificado.


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