Com uma área plantada de aproximadamente 12 mil hectares, os produtores de arroz do projeto Rio Formoso, em Formoso do Araguaia, sul do Tocantins, se ressentem da irregularidade das chuvas naquela região. Como o sistema utilizado no plantio é a irrigação por inundação, os produtores estão sendo obrigados a bombear água do rio Formoso para garantir o desenvolvimento da planta, o que aumenta ainda mais os custos de produção. As conhecidas "chuva de manga" (chuvas esparsas) não foram suficientes para atender as necessidades hídricas das plantas.
De acordo com o engenheiro agrônomo Marcelo Jardim, da Agropecuária São Francisco, essa escassez de chuvas trouxe outras conseqüências como o atraso nos tratos culturais, complicações no controle de pragas além do velho e constante problema do ataque da bruzone, um dos principais problemas dos rizicultores do Projeto Rio Formoso. Jardim acredita que uma redução na produtividade será inevitável, embora reconheça que ainda é cedo para qualquer projeção. Ele ressalva que todas as etapas do cultivo do arroz são decisivas na produtividade e, portanto, só é possível conhecer os resultados na hora da colheita.
Na safra regular, nas áreas de várzeas do Baixo Araguaia, que no Tocantins vai de Formoso até Lagoa da Confusão, passando por Dueré e Cristalândia, só é possível plantar arroz, já que nesse período esse varjão fica inundado pelas águas das chuvas. O maior problema enfrentado pelos produtores é a falta de variedades resistentes à bruzone.
Estudos realizados por pesquisadores da Embrapa apontam que o principal problema da rizicultura na região de Formoso do Araguaia está relacionado à sistematização das áreas e não a baixa oferta de variedades. Os módulos que variam de 40 até 100 hectares estão superdimensionados, o que dificulta o manejo da água, favorece o desenvolvimento do fungo bruzone e a invasão de ervas daninhas. Esse conjunto de fatores eleva os custos da lavoura.
Pesquisadores e muitos produtores consideram que o modelo, implantado em 1979, precisa ser revisto, antes que ele traga mais prejuízos aos produtores e desestimule o cultivo desse cereal. Implantado posteriormente no projeto de Lagoa da Confusão, onde as áreas são mais racionais, o nível de produtividade está compatível ao modelo de cultivo.
O fitopatologista Anne Prabu, da Embrapa Arroz e Feijão, afirma que em lugar nenhum do mundo existe uma massa verde tão vasta e favorável à bruzone como em Formoso do Araguaia. "A vegetação contígua aliada ao clima tropical, quente e úmido e a adubação pesada com nitrogênio, forma o ambiente ideal para o fungo", acentua Prabu. Segundo ele, mesmo nessas condições é possível controlar o desenvolvimento do fungo, o que pode ser feito por meio do manejo da água, que se dá em áreas menores, onde é possível ter uma lâmina de água uniforme.
Prabu salienta que o fungo que provoca a bruzone possui várias raças e sua mutação é rápida. Por isso, segundo ele, o recomendável nas condições de Formoso do Araguaia é que sejam plantadas variedades alternadas por talhões.