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Esmagadoras elevam capacidade de moagem de soja


A farta produção brasileira de soja tem impulsionado esmagadoras de grande porte, e mais capitalizadas, a aumentar a capacidade de moagem no País. Entre os últimos aportes destinados ao parque industrial incluem os de multinacionais, como ADM do Brasil, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus (Coinbra), e da brasileira Caramuru Alimentos.

As companhias, que formam um grupo que chega a faturar R$ 25 bilhões por ano com operações do agronegócio, reúnem investimentos da ordem de R$ 900 milhões no aumento da capacidade de esmagamento de soja.

A mais recente cartada é a da Caramuru, que arrematou em leilão uma unidade do complexo da Companhia Mogiana de Óleos Vegetais (Comove). O lance da compra foi de R$ 10 milhões, de acordo com o sócio-proprietário César Borges de Sousa. Localizada em Catalão (GO), a processadora está perto de Ipameri, outra cidade goiana onde a Caramuru já havia reservado R$ 60 milhões para a construção de uma esmagadora e possui um armazém com capacidade para 120 mil toneladas.

Somada aos últimos investimentos firmados no País, a nova fábrica da Caramuru deve elevar para próximo de 125 mil toneladas/dia a capacidade produtiva da indústria brasileira de esmagamento. Além da apuração junto às processadoras, os cálculos foram feitos a partir de pesquisa elaborada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que indicou um parque total de 115,27 mil toneladas por dia no ano passado.

Os empreendimentos em Goiás confirmam o estado, um dos principais produtores de soja do Brasil, como local estratégico para a Caramuru. A companhia possui fábricas em Itumbiara e São Simão, com capacidade para esmagar 3,5 mil toneladas/dia. "Queremos aproveitar a transformação local de pastagens em agricultura e, como alternativa, chegar ao Porto de Tubarão pelo modal ferroviário, sem transbordo", diz Sousa. Hoje, a rota de exportação usada pela Caramuru, pela saída de Tubarão, ocorre por rodovia de Itumbiara até Uberlândia (MG), onde são carregados os vagões de trem com destino ao ancoradouro capixaba.

A expectativa é de a fábrica, com infra-estrutura para esmagar 2 mil toneladas/dia, entrar em atividade em 2005. Com contrato de arrendamento, até junho, para a Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia (Carol), a unidade de Catalão opera só para recebimento de grãos ou sementes para plantio.

Nos primeiros meses de 2004, a capacidade de moagem do Brasil já passou para 123 mil toneladas por dia. O acréscimo é oriundo de investimentos em áreas de crescimento da produção de soja. A Coinbra, além de ampliar duas esmagadoras em Goiás e Paraná, inaugurou em março a primeira unidade no Mato Grosso, em Alto Araguaia (MT). Foram usados R$ 200 milhões para aumentar 5 mil toneladas/dia o parque de máquinas do grupo.

Também no Mato Grosso, a ADM do Brasil está expandindo uma fábrica, a qual, desde o início de março, está com parte do maquinário em atividade em uma fase chamada "slow start". Quando estiver a todo vapor, a unidade deve aumentar para 6,5 mil toneladas diárias a capacidade local da companhia. Embora não revelados pela ADM, estimativas do mercado indicam investimentos de R$ 50 milhões na ampliação de uma linha de produção de mais de 3 mil toneladas/dia.

O presidente da divisão de processamento e grãos da ADM nos EUA, Willian Camp, esteve no Brasil para anunciar as novas operações ao governador do Mato Grosso, Blairo Maggi. Camp também aproveitou para ressaltar os recursos locais que a ADM está executando no estado mato-grossense, como a compra de mais de 60 caminhões e 140 vagões para o transporte.

Para maio, a Cargill planeja inaugurar sua nova processadora em Rio Verde (GO). A companhia consumiu US$ 60 milhões (R$ 173,4 milhões), que foram divididos entre a construção da unidade de moagem e o aumento da capacidade de armazenagem. Com a fábrica em funcionamento, o parque de esmagamento da empresa terá um acréscimo de cerca de 2 mil tonela-das/dia e o do Brasil chegará a 125 mil toneladas/dia.

Após vários anos sem registro, a fase de novas unidades processadoras na indústria brasileira de soja foi aberta pelo Grupo Bunge. A companhia inaugurou em 2003 em Uruçuí (PI), unidade capaz de esmagar 2 mil toneladas/dia. A expectativa é de a fábrica ser ampliada até 2007 para 4 mil toneladas/dia, com montante de R$ 420 milhões. Segundo o secretário da Abiove, Fábio Trigueirinho, o último aporte em novas fábricas na indústria foi em 1995.

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