Especialista vê crédito como gargalo no agro
O problema do agro brasileiro não está apenas na falta de dinheiro
O problema do agro brasileiro não está apenas na falta de dinheiro - Foto: Pixabay
A dificuldade de acesso ao crédito rural tem ampliado a pressão financeira sobre produtores e exposto um descompasso entre os valores anunciados e os recursos efetivamente disponíveis no campo. A avaliação é de Carlos Alberto Tavares Ferreira, fundador e CEO da Carbon Zero.
Segundo ele, o problema do agro brasileiro não está apenas na falta de dinheiro, mas na dificuldade de transformar recursos anunciados em financiamento acessível no momento certo. Embora o Plano Safra apresente recordes anuais, com bilhões de reais destinados ao setor, muitos produtores seguem afundados em dívidas porque o crédito não chega no ritmo exigido pela atividade rural.
O endurecimento dos critérios bancários, o aumento das exigências, a menor disposição ao risco e a demora nas análises tornam o crédito rural mais difícil. Enquanto isso, o campo opera sob prazos definidos pela natureza, como a janela de plantio, o ciclo das chuvas e o período de colheita. Quando o financiamento atrasa, o impacto se espalha pela operação.
Sem crédito, o produtor reduz o plantio. Com menor área cultivada, a produção cai. A queda na produção reduz a receita e amplia o acúmulo de dívidas. Uma dificuldade financeira, nesse cenário, pode se transformar rapidamente em crise operacional.
O setor agropecuário discute a necessidade de um Plano Safra próximo de R$ 674 bilhões. Para Carlos Alberto Tavares Ferreira, mais importante do que o volume total é saber quanto desse dinheiro conseguirá chegar ao produtor em tempo útil. A diferença entre recurso anunciado e recurso acessível tornou-se central no debate sobre financiamento rural.
Além das restrições de crédito, produtores enfrentam custos elevados, juros altos, eventos climáticos extremos e oscilações de mercado. Quando o agro sofre, os efeitos alcançam cooperativas, agroindústrias, transportadores, municípios dependentes da atividade rural e consumidores.
O cenário reforça a necessidade de um Plano Safra robusto, mas também de um sistema capaz de converter anúncio em acesso, promessa em financiamento e financiamento em produção.