Especialista vê melhora pontual no crédito rural
Apesar disso, o volume efetivamente equalizado caiu 14,8%
Apesar disso, o volume efetivamente equalizado caiu 14,8% - Foto: Pixabay
O Plano Safra 2026/2027 apresenta avanços pontuais no crédito rural, mas mantém limitações estruturais para a agricultura empresarial. A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor de Consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio. O programa destinou R$ 525,1 bilhões ao setor, alta nominal de 1,7% sobre o ciclo anterior, percentual insuficiente diante da inflação, dos custos de produção e do crescimento da atividade.
Entre os pontos positivos está a redução dos juros em praticamente todas as linhas, com recuos entre 0,5 e 1,5 ponto percentual. A subvenção do Tesouro para equalização aumentou 41%, de R$ 3,94 bilhões para R$ 5,56 bilhões, no maior esforço orçamentário do atual governo nessa área. O Pronamp também foi fortalecido, com juros de 9% ao ano, limite de R$ 3,5 milhões e novas finalidades financiáveis.
O plano preservou condições mais favoráveis para agricultura de baixo carbono, recuperação de pastagens e regularização ambiental. Também criou o Move Agricultura, com R$ 10 bilhões, e o EcoInvest Brasil, com R$ 28,5 bilhões, ampliando as fontes além do crédito tradicional.
Apesar disso, o volume efetivamente equalizado caiu 14,8%, de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões. Linhas como Moderfrota, Proirriga, Inovagro, Prodecoop e Custeio Empresarial seguem com taxas entre 11,5% e 12,5% ao ano. Nove das dez principais linhas de investimento perderam orçamento, com quedas de 54% no Moderfrota e de 38% no Proirriga e no Inovagro.
A redução do Proirriga ocorre em meio ao aumento das secas e à previsão de El Niño em 2026/2027. Já o orçamento do PCA caiu 28%, sem enfrentar o déficit de armazenagem. A análise indica que o crédito subsidiado perde espaço e eleva a dependência de instrumentos privados, como CPRs e LCAs.