Especialistas acreditam que setor da floricultura pode ser sustentável
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Imagem: Pixabay
DESAFIOS

Especialistas acreditam que setor da floricultura pode ser sustentável

Do produtor ao varejista, é possível adotar soluções sustentáveis, inclusive com rentabilidade
Por: -Eliza Maliszewski

A sustentabilidade é um caminho sem volta. Do produtor ao varejista, é possível adotar soluções sustentáveis, inclusive com rentabilidade não apenas para o meio ambiente e para a sociedade, mas para os próprios negócios. Por meio de palestras e apresentações de cases, os convidados do 10° Seminário Ibraflor – Sustentabilidade na cadeia de flores e plantas mostraram tendências, soluções, números e exemplos práticos de como os negócios podem, sim, ser mais sustentáveis em todos os segmentos. O evento, realizado no último dia 26 na Cooperativa Veiling Holambra contou com 110 participantes presenciais e 1.473 online.

“Para alguns, foi a confirmação de que estão no bom caminho. Outros saíram estimulados para aprofundar o assunto na sua empresa, alertados sobre a importância de trabalhar mais as questões ligadas ao meio ambiente. Tivemos excelentes palestrantes que, para nossa surpresa, se complementaram de modo que, no fim do dia, todos saíram muito satisfeitos e motivados. Recebemos muitos elogios”, diz Kees Schoenmaker, presidente do Ibraflor - Instituto Brasileiro de Floricultura-, organizador do evento.

“O seminário trouxe uma série de informações aos participantes, provocando discussões e reflexões bastante úteis sobre os impactos que o tema “sustentabilidade” terá nos negócios das empresas e na mudança de hábitos dos consumidores”, avaliou Renato Opitz, diretor do Instituto.

O objetivo do Seminário foi analisar como o tema sustentabilidade é tratado em toda a cadeia da floricultura nacional e para qual cenário os produtores de plantas e flores ornamentais, distribuidores, atacadistas, pontos de venda e demais envolvidos com o setor devem estar preparados para um futuro cada vez mais próximo. 

 Palestrantes

Sônia Karin Chapman, diretora da Chapman Consulting, em sua palestra sobre “A Sustentabilidade colocada em prática nos negócios”, promoveu um debate sobre os desafios de compreensão e implementação do conceito, no Brasil e no mundo. Ela destacou a importância de se envolver todos os elos da cadeia, com o olhar do ciclo de vida e da colaboração, para mitigar problemas e potencializar diferenciais competitivos do setor de flores e plantas no Brasil.

As dicas oferecidas por ela aos participantes podem parecer simples, mas fazem toda a diferença. “É preciso dispor de processos e ferramentas que antecipem os impactos, ao invés de compensá-los. Os problemas (e as soluções!) estão em todos nós. É preciso reconhecer a necessidade de uma ação global, pois não é mais possível resolver nada sozinho”, diz.

Segundo Sônia, é preciso rever (de extração, de produção e de consumo), levar em consideração (e respeitar) expectativas de diferentes partes interessadas, ter uma visão holística de impactos, suas razões e consequências, integrar-se aos processos assumindo co-responsabilidade “Acostume-se a não ter respostas definitivas para nada: a inovação é bem-vinda! Aprenda a prestar mais atenção na sua intuição. Faça alianças. Questione sempre a fonte das informações e, finalmente, seja um cidadão crítico e construtivo”, aconselha.

Giampaolo Buso, sócio-diretor da PariPassu, abordou temas como a mudança das características da população brasileira, a presença reduzida no campo e a adoção de tecnologias para a demanda ESG (Environmental, Social and Governance - termo que se refere a critérios adotados pelas companhias para garantir o comprometimento com questões ambientais, sociais e de governança, e cujos parâmetros têm sido usados cada vez mais para direcionar parcerias e investimentos). Explicou, ainda, o que é e quais as vantagens da Certificação e a estrutura do checklist de auditoria.

Beatriz Luz, co-chair do Centro Brasileiro de Inovação em Economia Circular - Exchange 4 Change Brasil -, apresentou um novo olhar de sustentabilidade para o setor. “Em um mundo onde os impactos das mudanças climáticas estão cada vez mais evidentes, nossos solos cada vez mais contaminados e o lixo boiando nos oceanos, precisamos de um novo modelo de produção e consumo. A economia circular consiste de um novo modelo de desenvolvimento onde não mais existe a ideia de resíduo e tudo é produzido para ser consertado, reaproveitado e reinserido em um ciclo reverso de produção”, disse.

De acordo com Beatriz, os conceitos de intensificação e eficiência, por mais poderosos que sejam, não são mais eficientes. É preciso expandir o olhar para todos os elos da cadeia produtiva. Por exemplo, no Japão, em média 30% a 50% das flores em floriculturas costumam ter seu fim como resíduo. Em uma iniciativa única, um sistema de coleta foi estruturado para dar uma segunda vida às flores, transformando-as em belíssimos arranjos de flores secas - processo conhecido como flowercyclists. “Com este modelo foi possível minimizar a geração de resíduos, reduzir o preço de distribuição das flores e, ainda, inspirar mais pessoas a cultivarem um estilo de vida com flores ao seu redor. “A economia circular aplicada à agricultura vem para nos mostrar que é possível produzir, protegendo a biodiversidade, regenerando o ecossistema natural, sem desperdícios e, ainda, transformando resíduos em insumos”, destacou.

 Exemplos práticos

Klaas Schoenmaker, diretor geral do Terra Viva, apresentou vários projetos desenvolvidos pelas empresas do Grupo para gerar “valor nos campos econômico, social, humano e ambiental, de maneira sustentável, favorecendo o ser humano, o empreendimento e a sociedade”. De acordo com ele, para o Grupo Terra Viva, sustentabilidade é melhorar os produtos, os processos interno e externo, as pessoas e o entorno. Entre os projetos apresentados, Klaas destacou a área de preservação da Terra Viva, a central de reciclagem que ganhou o nome de Reviva, a Oficina do Ser, destinada às capacitações educacionais, os programas Colônia de Férias, Jovem Empreendedor Social e Elo Social. Ele ressaltou ainda as parcerias com outros vários programas, como o Jovem Agricultor do Futuro (Senar), o Projeto Jardineiro, o Movimento Abraçar, o Instituto Dança Viva, os Escoteiros de Holambra e a Aliança pela Infância. Para todos eles o lema utilizado pelo Grupo é “Plantar uma vida melhor”.

O artista floral Tanus Saab, da Escola Brasileira de Arte Floral, e Gabriela Nora, da Galeria Botânica, apresentaram um projeto desenvolvido com uma ong de catadores. Garrafas de vinho que eram descartadas em aterros sanitários, pois a venda não era compensatória, passaram a ser reaproveitadas “Absorvemos 100% do que eles conseguem produzir. A meta é influenciar outras floriculturas com a prática”, contou. Localizada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a Galeria Botânica é um espaço múltiplo em permanente transformação que surgiu com o propósito de unir o universo artístico e botânico, conectando pessoas que buscam arte e uma relação mais próxima com a natureza. Ali, eles trabalham com as flores secas, transformando-as em obras de arte e aproveitando todos os produtos, sem jogar nada no lixo.

O CEO da Cooperativa Veiling Holambra, Jorge Possato, compartilhou os resultados do programa de sustentabilidade que teve início há 10 anos. Entre os objetivos, tornar a CVH autossustentável em água e em energia elétrica.  Mesmo em plena pandemia, a Cooperativa vem mantendo a sua meta de investir cerca de R$ 4,5 milhões por ano para promover a sustentabilidade em todo o seu parque e na aquisição de novos equipamentos. Captação da água da chuva, instalação de painéis de energia fotovoltaica, rebocadores elétricos, material circulante retornável e de construção renovável, coleta seletiva e inovação no gerenciamento eletrônico de documentos são alguns dos exemplos do uso correto dos recursos.

O material circulante, que entrou na mira da sustentabilidade por meio de um projeto contínuo de embalagens retornáveis permitem que nada menos do que 1,5 milhão de peças, entre porta-vasos e cestos para flores de corte, antes descartados, agora são retornáveis. Eles são utilizados diariamente para o transporte de flores e plantas ornamentais entre as fazendas produtivas e a Cooperativa, onde acontecem o leilão e outros canais de comercialização dos produtos. Quando uma peça quebra, ela é moída para que o material seja reinjetado em novos produtos. Nada é desperdiçado. Jorge lembrou, por exemplo, que as embalagens retornáveis foram fundamentais para os produtores neste momento de pandemia, quando o país vivencia, ainda, a falta de papelão e de plástico, elevando significativamente os custos dos insumos.

Joe Valle, da Malunga Orgânico Saudáveis, apresentou o case da “Fazenda Malunga”, localizada em Brasília. Fazenda com 50 ha de hortaliças, seis lojas próprias de varejo e uma de atacado, que gera 300 empregos diretos com toda a produção orgânica certificada. “Nossa marca está no mercado há mais de 30 anos. Desde estudantes propagamos a agricultura orgânica e produção sustentável. Somos pioneiros no Brasil. Temos um propósito claro: alimentos orgânicos e felicidade para todos. Acabamos de inaugurar nosso primeiro atacado de orgânicos da Região Centro-Oeste”, informou. De acordo com Joe, os problemas ainda enfrentados são ocasionados pela falta de conhecimento, seja de formação ou de assistência técnica e a produção sustentável em escala.

*informações assessoria de imprensa


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