Estudo avalia fixação de nitrogênio em culturas
Medina também destaca que produtos à base de Azospirillum brasilense
Medina também destaca que produtos à base de Azospirillum brasilense - Foto: Canva
O avanço dos bioinsumos no Brasil tem sido sustentado pela pesquisa científica e pela busca por produtos capazes de entregar resultados consistentes no campo. Segundo Gabriel Medina, professor da Universidade de Brasília, a credibilidade do setor depende da manutenção desse rigor, especialmente em aplicações que ainda exigem comprovação mais robusta.
Um dos pontos de atenção está na fixação biológica de nitrogênio em culturas não leguminosas. Enquanto o processo é amplamente comprovado em leguminosas associadas a bactérias específicas, a extensão desse conceito para outras plantas ainda requer cautela. Uma revisão citada por Medina analisou três microrganismos utilizados com essa finalidade e concluiu que eles não apresentaram efeitos agronomicamente relevantes ligados à fixação de nitrogênio.
O estudo aponta que, após mais de 50 anos de pesquisas sobre a associação entre bactérias fixadoras de N2 e plantas não leguminosas, as respostas observadas com inoculantes microbianos estariam ligadas a outros mecanismos de promoção do crescimento vegetal, e não à fixação de N2. Mesmo assim, a revisão observa que há produtos comercializados com alegações de que esses microrganismos seriam capazes de fornecer grande parte do nitrogênio exigido pelas culturas, sem comprovação consistente para esse efeito.
Diante do conhecimento científico atual, a recomendação é que produtos baseados nesses microrganismos sejam posicionados como promotores de crescimento vegetal, evitando alegações de fixação biológica de nitrogênio em não leguminosas sem evidências agronômicas relevantes. Medina também destaca que produtos à base de Azospirillum brasilense já são apresentados no mercado brasileiro como promotores de crescimento vegetal, com respaldo científico consistente.