Estudos reforçam eficácia dos bioinsumos no campo
O levantamento faz uma ressalva sobre a fixação foliar
O levantamento faz uma ressalva sobre a fixação foliar - Foto: Divulgação
A adoção de bioinsumos agrícolas ganha respaldo de estudos que apontam resultados relevantes no controle de pragas e doenças e na promoção do crescimento vegetal. A sistematização foi feita por Gabriel Medina, professor da Universidade de Brasília, a partir de pesquisas sobre microrganismos e formulações disponíveis no mercado brasileiro, com comparações com produtos químicos.
No controle de doenças fúngicas, biofungicidas comerciais alcançaram até 80% de eficácia contra o mofo branco. Para doenças foliares, como a mancha-alvo, o desempenho chegou a 40%. Também foram registradas evidências de controle de fusariose, ferrugem linear do trigo e sarna da macieira. Os resultados indicam potencial de uso dos biológicos como substitutos de químicos em situações específicas.
Entre os inseticidas biológicos, produtos à base de Bacillus thuringiensis e vírus apresentaram alta eficiência contra lagartas. Fungos como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana também foram testados com sucesso no manejo de percevejos e da broca da cana.
Os bionematicidas mostraram eficácia contra Meloidogyne javanica, Pratylenchus zeae e Meloidogyne exigua, superando produtos químicos em alguns testes. Já os inoculantes têm papel reconhecido na fixação biológica de nitrogênio em leguminosas, na solubilização de fósforo e na promoção do crescimento, como ocorre com Azospirillum brasilense.
O levantamento faz uma ressalva sobre a fixação foliar de nitrogênio no milho. Um artigo científico apontou que a cepa de Methylobacterium symbioticum não possui o aparato genético completo da nitrogenase e, portanto, não realiza a fixação biológica de nitrogênio, embora possa promover crescimento. Os dados reforçam que o desempenho depende da cepa, da formulação, do ambiente, do manejo e da pressão do alvo.