EUA avançam na remuneração por práticas regenerativas
O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas
O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas - Foto: Pixabay
A agricultura regenerativa ganhou impulso nos Estados Unidos com uma medida que conecta produção agrícola, redução de carbono e biocombustíveis. As informações são de Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa, que analisou os efeitos da iniciativa sobre produtores e empresas do setor.
Em 25 de junho, o presidente Trump assinou uma Ordem Executiva para avançar esse modelo de produção, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, anunciou a Regenerative Feedstock Rule. A regra pode abrir espaço para bilhões de dólares em remuneração a agricultores que adotarem práticas regenerativas no cultivo de milho, soja, sorgo e canola destinados à cadeia de biocombustíveis.
O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas em nível de talhão, além de padrões de rastreabilidade e auditoria em toda a cadeia. Também estabelece a verificação independente das práticas adotadas. Segundo a mensagem da secretária Rollins, a proposta busca criar oportunidades de mercado, sem impor mandatos, com possibilidade de prêmios de preço, menores custos de insumos e melhoria da saúde do solo.
Na avaliação de Jacques Dieu, as exigências abrem espaço para soluções como as desenvolvidas pela Biome Makers. A plataforma BeCrop reúne dados auditáveis do solo, permite medir a atividade biológica, apoia a verificação científica das práticas regenerativas e conecta informações da fazenda ao relatório final.
A iniciativa reforça que a saúde do solo pode gerar valor econômico quando acompanhada por dados capazes de comprovar resultados. Para o Brasil, que também avança na integração entre agricultura regenerativa e biocombustíveis, o movimento amplia o debate sobre a preparação das empresas para medir, verificar e demonstrar impactos no solo.