EUA prepara-se para autorizar a introdução de plantas geneticamente modificadas na alimentação humana
Segundo as agência internacionais, a administração de George Bush prepara-se para autorizar a introdução na alimentação humana, em pequenas quantidades, de plantas geneticamente modificadas, como ensaio.
A polêmica proposta é denunciada pelas organizações de defesa dos consumidores, que acusam o governo de não conseguir controlar a segurança destes produtos. Se o presidente Bush der luz verde ao documento, como se espera, esta será uma vitória de peso para a indústria de biotecnologia, que há muito pressiona os EUA para legislar neste sentido, temendo uma potencial avalanche de processos na justiça.
No ano passado, as culturas transgênicas representavam 35,2 milhões nos EUA, onde desde 1996 já são comercializados produtos alimentares que contêm organismos geneticamente modificados. As áreas cultivadas com ensaios, que são as afetadas por esta proposta, ocupavam 22.800 hectares de terra, em 2001.
A administração Bush justifica a proposta dizendo ser cada vez mais difícil evitar a contaminação das culturas comerciais com a "poluição genética" que resulta da polinização cruzada entre as culturas tradicionais e as experiências com plantas transgênicas cultivadas a céu aberto.
Assim, o governo alega que isto poderá originar a presença, nos produtos alimentares, de pequenas quantidades de genes obtidos por biotecnologia ou de produtos genéticos que não foram sujeitos aos testes e exames exigidos por lei. Um risco que, segundo as informações, o governo dos EUA considera "aceitável".
Atualmente, é obrigatório no País que os produtos alimentares que tenham na sua composição OGM sejam aprovados em vários níveis sanitários, antes de serem comercializados. As culturas têm de ser aprovadas pelo Ministério da Agricultura para evitar a polinização cruzada e se os OGMs contiverem pesticidas, a Agência de Proteção do
Ambiente tem de certificar-se de que estes não são nocivos para a alimentação humana nem para o ambiente. Finalmente, a agência responsável pelos produtos alimentares (FDA) prevê um exame voluntário.
No entanto, a nova proposta vem encurtar a avaliação sanitária para as culturas transgênicas experimentais. A indústria de biotecnologia considera que este é um passo em frente na legislação e nas garantias de segurança destes produtos.
Os consumidores acusam que a única garantia da proposta é a da cobertura jurídica aos fabricantes de OGM.