Excesso de adubo colabora para o aparecimento da ferrugem no algodão
Espaçamento: nem muito perto, nem muito longe
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Uma doença que costuma aparecer no final do ciclo do algodão, a ferrugem, tem preocupado produtores que investem em lavouras de alta produtividade. A boa notícia é que decisões simples no manejo — como o espaçamento entre as linhas de plantio e a quantidade de adubo aplicada — podem ajudar a reduzir o problema, segundo publicações técnicas sobre o tema. A ferrugem é causada por um fungo chamado Phakopsora gossypii e costuma surgir quando a planta começa a florescer, ficando mais evidente na fase em que os frutos do algodoeiro, as chamadas maçãs, estão se formando.
Ela se desenvolve melhor em lavouras "fechadas" — ou seja, quando as plantas estão muito próximas umas das outras e suas folhas formam uma espécie de teto denso sobre o solo. Esse ambiente retém mais umidade, e a combinação de calor com folhas molhadas por mais tempo é perfeita para o fungo se espalhar.
De acordo com o Manual de Fitopatologia, de Bernardes e outros autores (2016), esse "fechamento" acontece com mais facilidade quando o produtor planta as linhas muito próximas e usa uma quantidade grande de adubo, já que isso deixa as plantas mais vigorosas e frondosas. O problema é que, quanto mais fechada a lavoura, mais tempo o orvalho da madrugada ou a água da chuva demoram para secar nas folhas — e é justamente esse tempo de folha molhada que favorece a infecção pelo fungo.
Segundo a Embrapa Algodão, o fungo sobrevive de uma safra para outra em restos de plantas que ficam no solo e em plantas que nascem sozinhas na lavoura, fora da época de plantio. Do vento e da chuva, ele se espalha para as folhas vizinhas. Os primeiros sinais aparecem como pequenas manchas amareladas na parte de cima da folha; depois, na parte de baixo, surgem pontinhos alaranjados, que são as estruturas do fungo liberando novos esporos. Quando a infestação é grande, as folhas caem antes da hora — o que é ruim, porque a planta perde justamente as folhas que ainda estariam produzindo energia para engordar as maçãs.
Apesar de raramente ser a maior vilã entre as doenças do algodão, a ferrugem contribui para reduzir a produtividade, principalmente quando aparece junto com outros problemas foliares. O maior risco está em lavouras muito adubadas, com plantas vigorosas, e onde as fileiras de plantio estão muito próximas umas das outras.
Espaçamento: nem muito perto, nem muito longe
O espaçamento entre as linhas de plantio é um dos fatores que mais pesam nessa equação. Fileiras muito próximas fecham o dossel — o "telhado" formado pelas folhas — mais cedo, o que retém umidade e favorece o fungo. Já fileiras mais espaçadas deixam a lavoura mais arejada, o que ajuda a secar mais rápido o orvalho e a água da chuva.
Mas atenção: a Embrapa Algodão alerta que aumentar demais o espaçamento também traz problemas, porque a planta aproveita menos a luz do sol e a produtividade pode cair. Ou seja, não adianta simplesmente afastar as fileiras para fugir da doença — o ideal é ajustar esse espaçamento levando em conta a variedade de algodão plantada, a fertilidade do solo e o histórico de doenças naquela área.
O papel do adubo
A adubação, principalmente com nitrogênio, também interfere bastante. Segundo Sousa e Lobato (2004), quando o produtor aplica mais nitrogênio do que o necessário, a planta cresce demais, produz muitas folhas e mantém-se verde por mais tempo — o que parece bom à primeira vista, mas na prática deixa a lavoura mais fechada e úmida, facilitando a vida do fungo. Por outro lado, adubar de menos também prejudica, já que reduz a área de folhas e o potencial produtivo da lavoura.
Outros nutrientes também importam. O potássio ajuda a planta a resistir melhor a situações de estresse, enquanto cálcio e magnésio fortalecem a estrutura dos tecidos, de acordo com Silva (2009). Micronutrientes como boro, zinco e manganês também contribuem para deixar a planta mais resistente a doenças.
O que os especialistas recomendam
A orientação técnica é que qualquer decisão sobre espaçamento e adubação seja baseada em análise de solo e no histórico da própria área, sempre com acompanhamento de um engenheiro agrônomo. Além disso, o ideal é combinar esses ajustes com outras práticas, como rotação de culturas, eliminação de plantas voluntárias e escolha de variedades mais adaptadas, sem deixar de monitorar a lavoura regularmente. Quando necessário, o uso de fungicidas deve seguir rigorosamente as instruções da bula e o receituário agronômico.