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Excesso de chuva dificulta manejo do trigo

Plantio de trigo chega a 87% no Rio Grande do Sul


Foto: Canva

A semeadura do trigo avançou lentamente no Rio Grande do Sul devido à elevada umidade do solo, alcançando, em média, 87% da área prevista para a safra 2026. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pela Emater/RS-Ascar, que destaca que a implantação das lavouras está próxima da conclusão na maior parte das regiões do Estado.

Segundo a entidade, o encerramento do plantio depende da melhora das condições de solo. Nas áreas de maior altitude, onde o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) permite semeaduras até o fim de julho, os trabalhos deverão se estender por mais tempo.

A Emater/RS-Ascar informa que as lavouras apresentam bom estabelecimento, estandes adequados e desenvolvimento compatível com o período de cultivo. A maior parte das áreas encontra-se em desenvolvimento vegetativo inicial e perfilhamento, enquanto as lavouras implantadas mais cedo já iniciaram o alongamento do colmo.

As baixas temperaturas registradas na última semana, acompanhadas por geadas de fraca intensidade, favoreceram o perfilhamento das plantas sem causar prejuízos significativos. Em contrapartida, a elevada nebulosidade e a menor disponibilidade de radiação solar limitaram temporariamente o crescimento vegetativo.

Nas regiões com maior volume de chuva, o excesso de água provocou encharcamento do solo, perdas localizadas e necessidade de replantio em áreas com deficiência de drenagem. Além de atrasar a conclusão da semeadura, a umidade também dificultou operações de manejo, como aplicações de herbicidas e fertilizantes nitrogenados em cobertura.

Outro reflexo das condições climáticas foi o aumento do potencial de ocorrência de doenças foliares. Conforme a Emater/RS-Ascar, a elevada umidade no dossel intensificou a necessidade de monitoramento fitossanitário nas lavouras.

Para a safra 2026, a projeção da entidade é de cultivo em 814.220 hectares, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare.

Na região administrativa de Bagé, o plantio está praticamente concluído na Fronteira Oeste. Em São Borja, 90% dos 18 mil hectares previstos já foram implantados, e cerca de 30% das lavouras semeadas no início da janela do ZARC estão em fase de alongamento do colmo. Em São Gabriel, chuvas intensas exigiram replantio em áreas de relevo plano e drenagem lenta. Já em Aceguá, na Campanha, o excesso de umidade ainda impede o início da semeadura, enquanto em Caçapava do Sul os trabalhos foram finalizados.

Na região de Caxias do Sul, o excesso de precipitações praticamente interrompeu a implantação das áreas restantes, mantendo o solo sem condições para o trânsito de máquinas.

Em Ijuí, a semeadura atingiu 95% da área prevista. O avanço ocorreu apenas em municípios próximos a Cruz Alta, onde a umidade foi menor. Nas demais localidades, a conclusão do plantio depende da melhoria da trafegabilidade. A baixa luminosidade reduziu o ritmo de crescimento das plantas, embora, segundo a Emater/RS-Ascar, não tenha comprometido seu desenvolvimento. Após as chuvas, a umidade favoreceu a aplicação de nitrogênio em cobertura nas áreas em início de perfilhamento.

Na regional de Passo Fundo, o plantio foi concluído e as lavouras estão entre os estágios de germinação e desenvolvimento vegetativo. Apesar da baixa insolação retardar o crescimento inicial, as demais condições permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Na região de Pelotas, aproximadamente 70% da área foi semeada. A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos até a primeira quinzena de julho, conforme o calendário regional.

Em Santa Maria, a semeadura chegou a 85%. Em Tupanciretã, principal município produtor da regional, os 10.900 hectares projetados já foram implantados. As condições climáticas, no entanto, limitaram a aplicação de herbicidas para controle de plantas daninhas.

Na regional de Santa Rosa, o plantio alcançou 91% da área prevista. Na Região das Missões, o percentual chegou a 86%, abaixo dos 94% registrados no mesmo período da safra anterior. O atraso concentra-se nas áreas de baixada, onde o excesso de umidade dificultou a implantação. As lavouras apresentam bom estabelecimento, mas parte dos produtores ainda avalia as doses de nitrogênio em cobertura diante do alto custo dos fertilizantes e da possibilidade de chuvas durante a floração, cenário que pode comprometer o rendimento e a qualidade dos grãos.

Na região de Soledade, as precipitações impediram novos avanços, mantendo a área plantada em 90% do previsto. As lavouras apresentam estandes uniformes e bom desenvolvimento inicial, distribuídas entre germinação e emergência, que representam 15% da área, e desenvolvimento vegetativo inicial, com 85%. A elevada umidade favoreceu o surgimento de manchas foliares, exigindo monitoramento constante. Apesar da dificuldade de acesso às propriedades, a Emater/RS-Ascar ressalta que não há atraso significativo na realização dos tratos culturais e que, nas áreas mais altas, a semeadura poderá ser realizada até o fim de julho.

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