Excesso de chuva exige atenção ao sistema radicular
O diagnóstico nutricional também deve considerar o ambiente
O diagnóstico nutricional também deve considerar o ambiente - Foto: Pixabay
O excesso de chuva pode provocar alterações fisiológicas na soja antes mesmo que os primeiros sintomas apareçam nas folhas. Segundo Braitner L. Andrade, estrategista do agronegócio, casos de amarelecimento após períodos de forte precipitação precisam ser avaliados a partir das condições do solo e do sistema radicular.
Em uma situação observada no campo, mais de 100 milímetros de chuva foram registrados em apenas três dias, deixando o solo saturado e provocando amarelecimento das folhas mais velhas. Embora a primeira suspeita tenha sido deficiência de nitrogênio, o problema estava relacionado inicialmente às raízes.
Quando o solo permanece encharcado, a disponibilidade de oxigênio para o sistema radicular diminui rapidamente. Com isso, a respiração das raízes é comprometida, o metabolismo passa a depender mais de processos de fermentação e o crescimento radicular é reduzido. Na soja, o funcionamento dos nódulos e a fixação biológica de nitrogênio também podem ser prejudicados.
Após o escoamento da água e o retorno do oxigênio, a planta ainda pode enfrentar aumento do estresse oxidativo e danos às membranas. Como resposta ao encharcamento, pode ocorrer a formação de aerênquima e raízes adventícias, estruturas que auxiliam no transporte de oxigênio aos tecidos radiculares.
Nesse cenário, bioestimulantes podem integrar uma estratégia de recuperação. Extratos de algas podem atuar sobre o crescimento das raízes e vias hormonais ligadas ao estresse, enquanto substâncias húmicas podem contribuir para características físicas e biológicas do solo. Andrade ressalta, porém, que esses recursos não substituem drenagem, estrutura adequada do solo ou manejo da água.
O diagnóstico nutricional também deve considerar o ambiente. Manganês e ferro podem ter maior disponibilidade em condições redutoras, enquanto potássio, nitrogênio e molibdênio exercem funções importantes durante a recuperação. Sensores de umidade, mapas de solo, histórico de chuva, drenagem, estádio fenológico e produtividade podem ser integrados para antecipar riscos antes que os sintomas se tornem visíveis.