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Expoagro Afubra 2026 movimenta Rio Pardo/RS

Um dos destaques é o Pavilhão da Agricultura Familiar


Foto: Divulgação

A Expoagro Afubra 2026, realizada em Rio Pardo (RS) até sexta-feira, consolidou-se mais uma vez como uma das principais vitrines da agricultura familiar, da inovação no agro e da diversificação produtiva no Sul do país. Mais do que um espaço de exposição, a feira reúne conhecimento técnico, demonstrações práticas, agroindústrias e debates sobre os gargalos que hoje pressionam o produtor rural, como clima, renda, crédito e mercado.

Nesta edição, o evento trabalha sob o tema “Resiliência”, conceito que atravessa a programação e dialoga diretamente com a realidade do campo. Ao falar sobre o perfil do agricultor, o presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, resumiu o espírito da feira ao afirmar que “a resiliência é algo que o produtor rural conhece como ninguém”. Segundo ele, o agricultor enfrenta incertezas sucessivas, mas continua produzindo, reinventando-se a cada safra.

O peso da feira aparece tanto no conteúdo técnico quanto na diversidade de expositores. Um dos destaques é o Pavilhão da Agricultura Familiar, que ocupa 3.480 metros quadrados e reúne 222 empreendimentos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. No espaço, os visitantes encontram alimentos processados, derivados de cana-de-açúcar, produtos artesanais e exemplos concretos de agregação de valor dentro das propriedades rurais. Em 2025, segundo o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, os expositores comercializaram mais de R$ 2 milhões em produtos durante a feira, número que reforça o potencial econômico do evento.

Para o vice-governador Gabriel Souza, a agroindústria familiar é estratégica porque permite transformar pequenas propriedades em negócios mais competitivos. “Quando a propriedade é pequena no tamanho, tem que ser grande na produção, na produtividade. E aí, agregar valor ao produto através da agroindústria é fundamental”, afirmou. A avaliação vai ao encontro da proposta da Expoagro Afubra: mostrar que renda no campo passa não apenas por produzir mais, mas por produzir melhor, industrializar, qualificar a mão de obra e acessar novos mercados.

Outro eixo forte da programação está na Casa da Emater, organizada em 19 parcelas temáticas com foco nos desafios da agricultura familiar frente às emergências climáticas. O espaço foi desenhado para apresentar alternativas práticas de diversificação, manejo sustentável e geração de renda, incluindo sistemas de cultivo de hortaliças, apicultura e meliponicultura, piscicultura, processamento de alimentos, plantas bioativas e conservação do solo. A cada dia, a programação prevê pelo menos 16 oficinas e demonstrações, aproximando conhecimento técnico da rotina do produtor.

Na prática, a feira transforma conteúdo em demonstração aplicada. Entre as atividades previstas estão oficinas de processamento de pescado, introdução de alevinos, produção de copa, avaliação da qualidade da água, culinária de pescado, divisão de colmeias de jataís, além de conteúdos sobre marcela, aproveitamento de carcaças ovinas e suínas e propagação de plantas bioativas com produção de óleos essenciais. A proposta é clara: oferecer soluções de baixo, médio e alto grau de adoção para diferentes perfis de propriedades.

Embora a Expoagro Afubra se consolide como espaço de inovação e negócios, o evento também expõe as tensões do agro gaúcho. Durante as manifestações de autoridades, apareceram de forma recorrente temas como estiagens, enchentes, endividamento e falta de previsibilidade econômica. Gabriel Souza destacou que a produção de tabaco ocupa quase 150 mil hectares no Rio Grande do Sul e lembrou que 40% das propriedades que cultivam tabaco também apostam em outras culturas, o que amplia a necessidade de crédito e apoio à diversificação. Ele ainda ressaltou que, nas últimas sete safras, o Estado enfrentou seis estiagens em algum nível.

Do outro lado, o prefeito de Rio Pardo, Rogério Monteiro, fez um discurso mais crítico ao afirmar que muitos agricultores seguem “trabalhando só para pagar conta”, cobrando ações mais concretas para o setor. A fala evidencia um ponto central da feira: ao mesmo tempo em que o evento apresenta tecnologia, conhecimento e oportunidades, ele também funciona como termômetro das dificuldades enfrentadas por quem está na base da produção.

A programação ainda reforça pautas ligadas à sucessão rural, ao protagonismo feminino e às novas fontes de renda. A deputada estadual Kelly Moraes destacou a presença de jovens e mulheres no agro, enquanto o senador Luis Carlos Heinze mencionou o debate sobre crédito de carbono como uma frente com potencial econômico para o produtor. Já o superintendente do Ministério da Agricultura no RS, José Cléber Dias de Souza, chamou atenção para a atuação em missões internacionais e para a relevância de mercados como a China para a cadeia do tabaco.

Nesse contexto, a Expoagro Afubra amplia seu papel para além de uma feira setorial. O reconhecimento do evento como Patrimônio Cultural Imaterial de Rio Pardo, aprovado em 2025, reforça a dimensão econômica, social e simbólica da exposição para o Vale do Rio Pardo e para o agro gaúcho. A feira passa a ser vista não apenas como agenda anual de negócios, mas como espaço em que tradição, inovação e identidade rural se encontram.

 

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