Exportação de soja: riscos do acordo entre China e EUA
China promete comprar mais soja dos EUA
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A exportação de soja brasileira entrou em alerta com os compromissos de compra anunciados entre China e Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, Pequim compraria 12 milhões de toneladas de soja americana nos dois últimos meses de 2025 e pelo menos 25 milhões de toneladas por ano entre 2026 e 2028.
O Brasil segue forte no mercado chinês, mas a disputa pode afetar prêmios de exportação, fluxo de embarques e margem do produtor. O risco não é uma perda imediata de mercado, e sim um cenário de concorrência maior entre as duas principais origens de soja para a China.
A China continua sendo o principal destino do agronegócio brasileiro. Em maio de 2026, as exportações do setor somaram US$ 16 bilhões, alta de 8,2% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.
Desse total, a China comprou US$ 6,3 bilhões, participação próxima de 40% na pauta exportadora do agro brasileiro. Os Estados Unidos, por sua vez, compraram US$ 837 milhões, com participação de 5,2% e queda de 28% na comparação anual.
A soja em grãos foi o principal produto exportado pelo agro brasileiro em maio. As vendas externas chegaram a US$ 6,3 bilhões, com volume de 14,8 milhões de toneladas. O valor cresceu 14,6% em relação a maio de 2025, enquanto o volume avançou 5,1%.
O complexo soja, que inclui grãos, farelo e óleo, somou US$ 7,5 bilhões em exportações no mês, alta de 16,3% na comparação anual.
Os dados mostram que o Brasil ainda tem posição forte no mercado chinês. Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, recorde histórico para o setor. A China liderou entre os destinos, com US$ 55,3 bilhões, equivalente a 32,7% das exportações agropecuárias brasileiras.
A soja em grãos também foi o principal item da pauta agropecuária brasileira em 2025, com US$ 43,5 bilhões em receita cambial e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas embarcadas.
Mesmo assim, a reaproximação entre China e Estados Unidos mudou o nível de atenção do mercado. Dados da alfândega chinesa divulgados pela Reuters mostram que, em maio de 2026, a China importou 1,66 milhão de toneladas de soja dos EUA, alta de 1,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No mesmo período, as compras chinesas de soja brasileira somaram 9,96 milhões de toneladas, queda de 17,7% na comparação anual. Esse recorte mensal, porém, não permite afirmar que o Brasil esteja perdendo espaço de forma estrutural.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, ainda segundo os dados divulgados pela Reuters, as importações chinesas de soja brasileira chegaram a 22,68 milhões de toneladas, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as compras de soja americana caíram 42,5%, para 8,38 milhões de toneladas.
A disputa entre Brasil e Estados Unidos pode aparecer primeiro nos prêmios de exportação, na prática, isso pode afetar a formação de preço nos portos brasileiros. Se a China ampliar compras dos EUA para cumprir os compromissos anunciados, compradores podem usar a concorrência entre origens para negociar condições melhores.
Esse movimento não significa queda automática no preço pago ao produtor. O preço da soja também depende de câmbio, Bolsa de Chicago, demanda internacional, safra brasileira, safra americana, logística e custos internos. Mas o prêmio de exportação é uma variável que merece atenção, especialmente em um mercado em que a China concentra grande parte da demanda.
Para o produtor rural, o ponto central é margem. Se os prêmios nos portos forem pressionados por uma disputa maior entre Brasil e Estados Unidos, haverá menos espaço para erro nas decisões de venda, compra de insumos e planejamento da próxima safra.
O Brasil mantém vantagens relevantes: escala de produção, relação consolidada com compradores chineses, oferta forte no primeiro semestre e capacidade de embarque em grandes volumes. Os dados atuais não mostram perda estrutural de mercado para os EUA.
O que existe é um alerta comercial. A China prometeu comprar mais soja americana, mas o Brasil segue competitivo.