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Exportação recorde pressiona preço do suíno no Brasil

Exportação recorde não impede queda dos preços e margens na suinocultura


Foto: Pixabay

Os suinocultores brasileiros enfrentam desvalorização no preço do animal e um aperto na margem de lucro no início deste segundo trimestre de 2026. Apesar das exportações de carne suína terem atingido volume recorde entre janeiro e março, a demanda externa não foi suficiente para enxugar a oferta no mercado interno, derrubando as cotações e piorando o poder de compra dos produtores frente aos insumos de nutrição. Os dados compõem o balanço de mercado divulgado pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).

Avanço nas vendas externas

Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela associação, mostram que as exportações brasileiras de carne suína in natura cresceram 15,3% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O percentual equivale a um acréscimo de 44,5 mil toneladas do produto despachadas para o mercado internacional. O principal destino comercial no período foram as Filipinas. O país asiático absorveu mais de 30% de todo o volume exportado pelo Brasil na categoria.

Cotações em baixa e relação de troca

Apesar do forte ritmo nos portos, os preços pagos ao produtor no Brasil recuaram. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) apontaram queda contínua para os indicadores do suíno vivo e da carcaça especial nas principais praças de comercialização até o dia 20 de abril de 2026.

Esse movimento de desvalorização corroeu o poder de compra do criador frente ao custo da ração animal. Segundo a ABCS, a relação de troca — indicador de mercado que mede a quantidade de insumos que pode ser adquirida com a venda do suíno — operou em patamar abaixo de 5,0. O índice não atingia um nível tão desfavorável para a atividade desde dezembro de 2023.

Preço do milho e fatores climáticos

No âmbito dos custos de produção, a atenção do setor está voltada para o desenvolvimento da segunda safra de milho, grão que é a base da alimentação nas granjas. Com o plantio finalizado, a irregularidade das chuvas em abril elevou o risco de perdas nas lavouras.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou a projeção da safra total de milho 2025/2026 para 139,6 milhões de toneladas. No curto prazo, as cotações do grão seguem em queda sob a perspectiva de uma colheita volumosa. Contudo, análises da consultoria Mbagro citadas no relatório indicam que não se descarta uma elevação nos preços dos grãos caso as condições climáticas causem piora na qualidade das lavouras nas próximas semanas.

Competitividade no varejo

Diante do descompasso entre custos e o preço de venda do suíno vivo, o principal alento da cadeia produtiva se encontra nos supermercados. A ABCS ressalta que a carne suína mantém forte competitividade nas gôndolas em relação às carnes bovina e de frango para o consumidor final. Essa diferença de preços é vista pelo setor produtivo como a principal oportunidade para expandir o consumo doméstico, viabilizando o reequilíbrio da oferta interna e, consequentemente, a estabilização das cotações na ponta produtora.

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