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Exportações de algodão crescem e somam US$ 262 milhões

Embarques devem ganhar força em setembro


Foto: Canva

As exportações brasileiras de algodão somaram 155 mil toneladas em julho de 2026, alta de 21,8% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A receita chegou a US$ 262,4 milhões, avanço de 27,2%, enquanto o preço médio foi de US$ 1,70 por quilo FOB, alta de 4,5%.

Para Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado mostra um início de temporada positivo, mesmo com a menor disponibilidade de produto no começo do novo ciclo. “Encerramos o último ano-safra, de julho a junho, com um volume recorde de exportações. É natural que julho comece em um ritmo um pouco mais lento, porque os estoques de passagem não são tão representativos e há menos algodão disponível. Ainda assim, este foi o segundo melhor julho da nossa série, o que mostra que começamos a nova temporada em um patamar forte”, afirma.

A expectativa da Anea é de aumento no ritmo dos embarques nos próximos meses, conforme avançam a colheita e o beneficiamento da safra 2025/2026. “A safra começou um pouco atrasada, mas a colheita entrou agora em um ritmo mais próximo das médias. Com isso, o beneficiamento também deve ganhar velocidade e ampliar a disponibilidade de algodão para exportação. A tendência é vermos volumes mais expressivos a partir de setembro”, explica Wajs.

Bangladesh foi o principal destino do algodão brasileiro em julho, respondendo por 19,3% dos embarques. Na sequência apareceram Vietnã, com 17,7%; Turquia, com 17,3%; e Paquistão, com 14,5%.

Índia, com 9,6%, Indonésia, com 8,8%, Malásia, com 3,4%, China, com 3,3%, Egito, com 2,9%, Coreia do Sul, com 1,4%, Colômbia, com 0,5%, e Tailândia, com 0,3%, completaram a lista de destinos informados.

A participação da Índia entre os principais compradores ocorre em um momento de abertura temporária de uma janela de isenção tarifária para importações de algodão pelo país.

Na avaliação da Anea, porém, o benefício tende a ter impacto limitado para o algodão brasileiro no curto prazo, principalmente em razão do tempo de trânsito até o mercado indiano e da menor disponibilidade do produto no início da temporada. “A Índia aparece com uma participação importante em julho, mas a janela de isenção tarifária deve trazer um benefício mais limitado para o Brasil neste momento. Temos um trânsito longo até o destino e, ao mesmo tempo, uma safra que começou atrasada e estoques de passagem menores. Por isso, provavelmente ainda não teremos volumes tão expressivos para aquele mercado no curto prazo”, avalia Wajs.

Em julho, o algodão respondeu por 0,77% de todas as exportações brasileiras e ocupou a 22ª posição entre os produtos exportados pelo país. Considerando apenas o setor agropecuário, a fibra representou 3,35% das vendas externas e ficou na quarta posição do ranking de exportações do segmento.

Com a entrada da nova safra, a Anea também destaca a necessidade de preparação da logística para acompanhar o possível aumento dos embarques nos próximos meses.

Segundo Wajs, o setor tem realizado articulações com agentes portuários, exportadores e representantes dos setores público e privado para antecipar possíveis demandas da operação. “Temos pela frente uma safra de bom volume e uma expectativa positiva para as exportações. Isso exige preparação de toda a cadeia logística. Tivemos recentemente uma reunião muito produtiva em Salvador, reunindo os diferentes agentes envolvidos na operação portuária, justamente para trabalhar antecipadamente esse aumento de fluxo”, afirma.

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