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Exportações de carne bovina faturam US$ 11,43 bilhões

China continua na liderança entre os destinos da carne bovina brasileira


Foto: Pixabay

As exportações brasileiras de carne bovina somaram 1,969 milhão de toneladas entre janeiro e julho de 2026, alta de 9,9% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que, apesar da queda nos embarques em julho, o faturamento acumulado avançou 28,3%, para US$ 11,43 bilhões.

Em julho, o Brasil exportou 264,4 mil toneladas de carne bovina, volume 16,1% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. A receita também recuou, 5,5%, e ficou em US$ 1,58 bilhão.

A redução dos embarques foi influenciada principalmente pela queda das vendas para a China, principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático recebeu 85,8 mil toneladas em julho, queda de 47% na comparação anual. A receita desses embarques foi de US$ 537,9 milhões, recuo de 50,3%.

Segundo a ABIEC, a mudança no ritmo das exportações para a China já era esperada pelo setor. O avanço no preenchimento da cota estabelecida pelo país levou as indústrias a reduzir os embarques para evitar que cargas chegassem acima do limite e ficassem sujeitas à tarifa adicional.

O movimento ocorre após um primeiro semestre de concentração das vendas brasileiras para o mercado chinês. O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, havia destacado a necessidade de ampliar a presença da carne bovina nacional em outros destinos. “Julho começa a mostrar uma mudança de dinâmica que já esperávamos para o segundo semestre. Tivemos uma antecipação importante das exportações para a China nos primeiros meses do ano e, com o avanço da cota, naturalmente há uma redução desse fluxo. Nesse cenário, ganha ainda mais importância o trabalho de diversificação e ampliação dos mercados para a carne bovina brasileira”, afirma Perosa.

Enquanto os embarques para a China diminuíram, outros compradores ampliaram as importações em julho. Entre os cinco principais mercados da carne bovina brasileira no mês, quatro registraram crescimento em volume ante julho de 2025.

O Chile importou 19,2 mil toneladas, aumento de 50,2%. A União Europeia recebeu 12,5 mil toneladas, alta de 52,6%. Os Estados Unidos, segundo maior destino no mês, compraram 28,9 mil toneladas, avanço de 9,7%, enquanto o México importou 12,4 mil toneladas, crescimento de 4,5%.

Em receita, as vendas para o Chile somaram US$ 122,4 milhões, alta de 50,3%. Para a União Europeia, foram US$ 109,8 milhões, aumento de 46,1%. Os embarques destinados aos Estados Unidos renderam US$ 193,9 milhões, avanço de 0,5%, enquanto as vendas ao México alcançaram US$ 79,4 milhões, alta de 7,2%.

No acumulado de janeiro a julho, a China continua na liderança entre os destinos da carne bovina brasileira, com 880,3 mil toneladas, crescimento de 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 233,8 mil toneladas, alta de 17,1%. Na sequência estão Chile, com 89,9 mil toneladas (+29,8%); Rússia, com 74,3 mil toneladas (+23,8%); e União Europeia, com 63,7 mil toneladas (+10,4%). Os cinco principais destinos registraram aumento no volume importado no acumulado do ano.

Além dos mercados tradicionais, outros destinos também ampliaram as compras. A Indonésia recebeu 43,8 mil toneladas de carne bovina brasileira entre janeiro e julho, aumento de 242,1% na comparação com o mesmo período de 2025.

O Vietnã, que abriu seu mercado para a carne bovina brasileira em 2025, importou 8,4 mil toneladas no acumulado, alta de 375,4%. Já a Argentina comprou 16,2 mil toneladas, crescimento de 139,5%.

Para Roberto Perosa, a expansão das vendas em diferentes mercados reforça a estratégia de diversificação das exportações brasileiras. “Temos mercados tradicionais ampliando suas compras e novos destinos ganhando relevância. A estratégia continua sendo investir nas regiões onde existe possibilidade de aumento da demanda e trabalhar, junto ao governo brasileiro, pela abertura de novos mercados. A Ásia segue como uma região prioritária nesse processo”, destaca Perosa. Os dados considerados pela ABIEC incluem as exportações brasileiras de carne bovina in natura, industrializada e salgada, além de miúdos, gorduras e tripas.

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