Exportações limitam queda nos preços do milho
Etanol e ração reforçam demanda por milho
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O avanço da colheita da segunda safra de milho no Brasil marca o início de agosto e amplia a oferta do cereal no mercado físico, segundo a análise "Direto do Campo", da Grainsights, produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (3). Com os trabalhos praticamente concluídos em Mato Grosso e em ritmo acelerado no Paraná e em Mato Grosso do Sul, favorecidos pela melhora das condições climáticas, a entrada do milho recém-colhido aumenta a disponibilidade do produto e provoca a pressão sazonal de baixa sobre as cotações nas regiões produtoras e nas unidades de armazenagem.
Apesar da maior oferta da safrinha, a demanda internacional continua sustentando o mercado. A análise aponta que a programação dos portos brasileiros prevê embarques de 8,24 milhões de toneladas de milho em agosto. Ao mesmo tempo, as preocupações com o clima no Hemisfério Norte e os conflitos na região do Mar Negro elevam a procura pelo cereal brasileiro, fortalecendo a paridade de exportação nos portos e reduzindo a pressão sobre os preços.
No mercado interno, o consumo pela indústria de rações e a expansão da produção de etanol de milho também contribuem para dar sustentação às cotações. Segundo a Grainsights, esse equilíbrio entre a oferta elevada da colheita e a demanda aquecida se reflete tanto no mercado físico quanto na B3. A expectativa é de recuperação dos preços no mercado futuro durante o último trimestre do ano, impulsionada pelo consumo industrial.
Diante desse cenário, a análise indica que os produtores têm optado por reter parte da produção e evitar vendas durante o pico da colheita. Com a segunda safra já amplamente precificada, o comportamento do mercado nesta semana deverá depender da recomposição dos estoques pelos compradores e da evolução das cotações em Chicago. A Grainsights avalia que eventuais movimentos de valorização nos portos poderão abrir oportunidades para a comercialização de novos lotes.
Além dos fatores ligados à oferta e à demanda, o cenário macroeconômico também permanece no radar do setor. A semana é marcada pela expectativa em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, e pela divulgação do Boletim Focus, que aponta a quinta redução consecutiva na projeção para o IPCA, agora em 5,03%, além da estimativa da taxa Selic entre 13,75% e 14% ao ano. A projeção para o dólar segue em R$ 5,20. Conforme a Grainsights, a estabilidade cambial e as oscilações do mercado internacional de energia influenciam os prêmios de exportação e os custos logísticos no Brasil, tornando essencial que o produtor acompanhe o mercado, mantenha atenção aos custos de produção e aproveite oportunidades de comercialização quando os preços estiverem alinhados aos seus objetivos.