A Produtos Veterinários Ouro Fino Ltda. está na etapa final de implantação de uma das mais modernas indústrias de produtos para saúde animal da América Latina. A fábrica, às margens da rodovia Anhanguera, em Cravinhos (SP), a poucos quilômetros de Ribeirão Preto (SP), foi projetada para que os produtos que dali saírem tenham condições de satisfazer as rígidas normas técnicas da União Européia (UE) e da Food and Drugs Administracion (FDA), entidade norte-americana que regula os setores de alimentação e medicamentos.
"Vamos nos transformarmos num ‘player’ internacional", diz Dolivar Coraucci Neto, diretor industrial da Ouro Fino e responsável pelo projeto da fábrica, que custou US$ 15 milhões. "Cansamos de ter o mercado internacional barrado por normas técnicas que muitas vezes têm mais características protecionistas do que de segurança", afirma ele.
Coraucci diz que cada detalhe de instalação da fábrica - que começa a funcionar ainda este ano - está sendo documentado. "O FDA exige a documentação de tudo utilizado no processo, de azulejos, tintas e até mesmo componentes elétricos do quadro de força, que têm o selo de exportação da UE."
A empresa foi fundada há 18 anos pelos mineiros Jardel Massari e Norival Bonamichi, nascidos em Inconfidentes, ex-distrito de Ouro Fino. Eles vieram para Ribeirão Preto em 1980, trabalhar como representantes comerciais de uma multinacional de nutrição animal de origem francesa. Em 1987, criaram a companhia que, em menos de duas décadas, transformou-se numa das dez maiores empresas de saúde animal do País, com receita que deve se aproximar dos R$ 100 milhões neste ano.
"Vamos reservar um turno de produção da nova fábrica só para atender às encomendas de multinacionais do setor", afirma o presidente Bonamichi. Segundo Massari, vice-presidente, a receita da Ouro Fino deverá saltar para R$ 180 milhões em 2008.
As exportações, que hoje representam cerca de 15% do faturamento, vão gerar mais de 20% da receita daqui a quatro anos. A capacidade de produção em Cravinhos será cinco vezes maior do que a fábrica atual, que funciona em várias casas vizinhas no bairro Campos Elíseos, em Ribeirão Preto.
O novo complexo industrial, com área de 45 mil metros quadrados, construída num terreno de 125 mil metros quadrados, levou mais de dois anos para ser projetado. Além de um laboratório com uma minifábrica para testar formulações, o complexo principal abriga cinco fábricas: injetáveis; cremes e pomadas; produtos orais; pós solúveis para a agroindústria; e comprimidos. Separado do complexo, há uma fábrica isolada de inseticidas e área reservada à produção de vacinas.
Em prédios separados, ficam também a área administrativa e o refeitório, com vista para um lago com peixes que tem função de captação de águas fluviais e de reservatório de água para incêndio. O jardim tem 1,8 mil árvores frutíferas, que darão flores e frutos o ano todo. Os 500 funcionários terão área social de 25 mil metros quadrados, com piscina, campo de futebol, churrasqueira, etc.
Os maquinários e os materiais de acabamento são de última geração. Um sistema computadorizado de gestão, o Datasul ERP, com acesso via internet, vai monitorar 1,6 mil pontos em toda a fábrica. Há um piso técnico acima da área de produção, isolado, onde fica todo o maquinário de suporte em utilidades, como ventiladores, sistemas de aquecimento, resfriamento e de troca de calor. Os cuidados fitossanitários exigiram, ainda, banheiros e vestuários para 300 pessoas, ambiente com pressão negativa, paredes e pisos em mármore.
Um funcionário de uma empresa concorrente que visitou recentemente a nova fábrica da Ouro Fino ficou impressionado com o que viu: "A tecnologia é a mesma usada na indústria farmacêutica para humanos." A Ouro Fino vai investir em marketing para mostrar a nova fábrica e novos produtos.
A Ouro Fino deverá colocar no ar programas voltados ao trabalhador, ao peão, que, segundo Bonamichi, é quem decide a compra. "Oitenta por cento dos pedidos têm valor médio de R$ 2 mil."
O mercado internacional de produtos para a saúde animal movimenta US$ 12 bilhões. Os Estados Unidos lideram com US$ 3 bilhões, à frente apenas do Brasil, com US$ 650 milhões.
Jardel Massari diz por que a Ouro Fino tem grandes chances de crescer neste mercado: "Temos a agilidade de uma empresa nacional, menor custo de produção e flexibilidade na produção". Segundo Massari, a Ouro Fino fará produtos específicos para mercados específicos. "Nos adaptamos facilmente à cultura de outros países", afirma.
Coraucci lembra que a empresa produz até vermífugos e outros produtos para camelos, exportados para o norte da África e países de língua árabe. A companhia exporta para 15 países africanos e tem clientes em quase todos países da América do Sul, além de filial no México. A expectativa é consolidar o mercado africano e buscar novas oportunidades nos Estados Unidos, Europa e Austrália.
A Ouro Fino tem cinco unidades de negócios: saúde animal, com produtos para bovinos, eqüinos, ovinos, caprinos, aves e suínos; bem-estar animal, que atua no mercado pet; animal health, voltada a exportação; Ouro Fino Agro-Science, que comercializa sementes forrageiras usadas em pastagem; e Ouro Fino Cuidados Domésticos, com produtos para controlar as pragas domésticas como ratos, baratas, formigas e moscas.
A linha de produtos veterinários tem 60 formulações oferecidas em 120 embalagens diferentes, incluindo para camelídeos. Em 2000, a empresa lançou a linha Ouro Fino Pet para animais domésticos, segmento que representa quase 10% do faturamento da empresa. Novos produtos, como sementes de pastagens e a linha inseticidas domésticos, também foram lançados recentemente.