Falta de ovos dispara nas gôndolas
Falta nas gôndolas passou de 25,5% em abril para 28,4% em maio
Foto: Divulgação
A indisponibilidade de produtos nos supermercados brasileiros voltou a crescer em maio de 2026, segundo dados do Levantamento da Neogrid. O Índice de Ruptura chegou a 12,4% no mês, interrompendo a melhora registrada em abril, com os ovos novamente no centro da pressão sobre o abastecimento. A reposição de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a enfrentar maior pressão em maio. Segundo dados do Levantamento da Neogrid, o Índice de Ruptura, que acompanha a falta de itens no varejo alimentar, subiu de 11,5% em abril para 12,4% em maio de 2026, avanço de 0,9 ponto percentual.
O resultado marca uma reversão em relação ao desempenho observado no mês anterior, quando houve melhora no indicador. Conforme mostra o Levantamento da Neogrid, o aumento da indisponibilidade atingiu diferentes categorias monitoradas, mas foi puxado principalmente pelos ovos, que seguiram como o item com maior índice de ruptura no período.
Nos ovos de aves, a falta nas gôndolas passou de 25,5% em abril para 28,4% em maio, segundo dados do Levantamento da Neogrid. A alta de 2,9 pontos percentuais manteve a categoria na liderança entre os produtos com maior dificuldade de abastecimento nos supermercados brasileiros.
“Com o consumidor exigindo respostas cada vez mais rápidas, o varejo vai revisando o mix e revendo os produtos e a quantidade dos pedidos que faz para a indústria. Isso pode gerar efeitos na dinâmica de abastecimento, embora não seja possível atrelar toda a ruptura a esse fator, já que há outros elementos envolvidos”, afirma Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid.
Munhoz avalia que o avanço da ruptura em maio está relacionado a uma combinação de fatores, como sazonalidade, variações de preço e mudanças no ritmo de consumo. “O varejo precisa equilibrar disponibilidade e capital empatado em estoque. Esse desafio se torna maior quando há variações simultâneas de oferta, demanda e custos logísticos”, acrescenta.
Os preços dos ovos tiveram comportamento misto no período. De acordo com o Levantamento da Neogrid, a embalagem com seis unidades recuou de R$ 7,51 para R$ 7,15, atingindo o menor valor desde janeiro. A embalagem com 12 unidades caiu de R$ 11,98 para R$ 11,61, enquanto a de 24 unidades passou de R$ 11,67 para R$ 11,52. Já a embalagem com 30 unidades avançou de R$ 21,43 para R$ 21,56.
A pressão sobre o abastecimento ocorreu apesar de a produção nacional de ovos ainda se manter em patamar elevado. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados no levantamento, o Brasil produziu 1,21 bilhão de dúzias de ovos de galinha no primeiro trimestre de 2026, volume 0,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, houve retração de 3,5%, segundo dados do IBGE mencionados no levantamento. O recuo indica acomodação na oferta após os últimos meses do ano passado e ajuda a contextualizar o aumento da ruptura em maio, em um cenário de ajustes entre disponibilidade, demanda, preços e custos logísticos.