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Feijão: avalie o engalhamento para estimar a produtividade

Como avaliar ramos, vagens e grãos


Foto: Canva

As características do feijão, como potencial produtivo, arquitetura da planta e engalhamento, ajudam o produtor a identificar limitações e ajustar o manejo ao longo do ciclo. A avaliação em campo, especialmente durante o florescimento e o enchimento de grãos, permite estimar o desempenho da lavoura e comparar cultivares e estratégias de manejo.

O feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris L.) apresenta grande variação na arquitetura, na capacidade de emissão de ramos e no potencial produtivo. Essas características são determinadas pela interação entre genética, ambiente e manejo. A cultura é cultivada praticamente durante todo o ano, em diferentes épocas de semeadura, como as safras de águas, seca e inverno, conforme a região. O cultivo pode ocorrer tanto em condições de sequeiro quanto sob irrigação.

Por isso, considerar apenas a produtividade média histórica da propriedade pode não representar o potencial de cada talhão. A avaliação visual e quantitativa da lavoura permite identificar problemas de estande, nutrição, disponibilidade de água, pragas e doenças.

Entre os principais componentes que determinam o potencial produtivo estão o número de plantas por metro, a uniformidade do estande, os ramos produtivos, os nós férteis, as flores, as vagens, os grãos por vagem e o peso dos grãos. Durante a fase vegetativa, a emissão de folhas e ramos define o engalhamento e a área foliar disponível para a fotossíntese. No florescimento, é determinado o número potencial de vagens, enquanto o enchimento de grãos influencia diretamente o peso final da produção.

Engalhamento do feijoeiro

O engalhamento é a capacidade da planta de emitir ramos laterais a partir do caule principal. Esses ramos podem ser apenas vegetativos ou apresentar função produtiva, com nós férteis, flores e vagens.

Essa característica varia entre cultivares e também é influenciada pelo espaçamento, pela densidade de semeadura, pela fertilidade do solo, pela disponibilidade de água e pela quantidade de luz recebida pela planta. Um maior número de ramos produtivos pode elevar o potencial de produção por planta em condições favoráveis. O engalhamento também contribui para o fechamento mais rápido das entrelinhas, reduzindo a exposição do solo e a emergência de plantas daninhas.

Por outro lado, o excesso de ramos longos e fracos pode aumentar o risco de acamamento. Em lavouras muito adensadas, o excesso de engalhamento também pode dificultar a circulação de ar e elevar a umidade na parte inferior das plantas, favorecendo doenças fúngicas. Assim, o objetivo não é buscar simplesmente o maior engalhamento possível, mas equilibrar número e vigor dos ramos, porte da planta e população por área.

Como medir o potencial produtivo do feijão

A avaliação pode começar pela divisão do talhão em áreas representativas, considerando bordaduras, centro da lavoura, partes mais baixas e locais com características diferentes de solo. Em cada faixa, podem ser escolhidos aleatoriamente de três a cinco pontos de amostragem. Cada ponto pode utilizar um metro de linha como unidade de avaliação.

O primeiro passo é contar o número de plantas por metro e comparar o resultado com o estande desejado para a cultivar. Também é importante observar a uniformidade de altura e vigor.

Diferenças acentuadas entre plantas podem indicar problemas de emergência, compactação, encharcamento ou desuniformidade da fertilidade do solo. A partir do florescimento pleno, quando cerca de 50% das plantas apresentam flores abertas, a avaliação pode ser aprofundada. O procedimento considera 10 plantas por ponto de amostragem.

Em cada planta, devem ser observados os ramos produtivos, os nós férteis e o número de flores ou pequenas vagens em ramos representativos. Essas informações permitem estimar o número potencial de vagens por planta. No entanto, nem todas as flores chegam à formação de vagens, já que fatores como déficit hídrico, calor excessivo, deficiência nutricional, pragas e doenças podem provocar abortamento.

Formação de vagens define o desempenho da lavoura

Durante o enchimento dos grãos, quando a maior parte das vagens já está formada e em crescimento, a avaliação passa a considerar principalmente as estruturas que efetivamente podem contribuir para a produção.

Em 10 plantas de cada ponto, o produtor ou técnico pode contar as vagens verdes bem formadas, descartando estruturas muito pequenas ou atrasadas que dificilmente contribuirão para a produtividade.

Também é possível contar os grãos em vagens representativas. O material indica que esse número normalmente varia de três a sete grãos por vagem, dependendo da cultivar. A presença de vagens chochas, malformadas ou atacadas por pragas também deve ser registrada. Combinando o número de vagens, os grãos por vagem, o estande e o peso médio dos grãos, é possível chegar a uma estimativa aproximada do potencial produtivo.

Arquitetura do feijão influencia o manejo

O porte e o tipo de crescimento são outras características importantes para avaliar a lavoura. De forma simplificada, os feijoeiros podem apresentar arquitetura arbustiva ereta, semiereta ou prostrada.

Os tipos arbustivos eretos tendem a formar plantas mais compactas e com menor engalhamento, características que facilitam a colheita mecânica e podem reduzir o risco de acamamento. Os tipos semieretos apresentam ramos laterais e porte intermediário, combinando potencial produtivo e relativa facilidade de manejo.

Já os tipos prostrados ou rasteiros emitem muitos ramos compridos que podem se deitar sobre o solo. Embora possam apresentar maior potencial produtivo por planta, também estão mais sujeitos ao acamamento, a doenças próximas ao solo e a dificuldades durante a colheita. A observação do padrão predominante deve ser feita durante a caminhada pelo talhão. Misturas de cultivares ou diferenças no adensamento podem provocar variações de porte dentro da mesma área.

Contagem de ramos ajuda a identificar o engalhamento

Para avaliar o engalhamento, a recomendação é observar não apenas quantos ramos a planta apresenta, mas também a distribuição e o vigor dessas estruturas. Em 10 plantas por ponto de amostragem, podem ser contabilizados os ramos laterais com função produtiva, ou seja, aqueles que apresentam nós com flores ou vagens. A média de ramos produtivos por planta deve ser registrada para cada área do talhão. Também é importante verificar se os ramos são curtos e bem inseridos ou longos e deitados sobre o solo.

A repetição dessa avaliação entre épocas de semeadura ou em talhões submetidos a diferentes manejos permite comparar o comportamento das plantas. Esses registros podem ajudar na escolha de cultivares e na definição de práticas para as próximas safras.

Fechamento das entrelinhas exige equilíbrio

O fechamento rápido das entrelinhas é uma característica desejável porque reduz a emergência de plantas daninhas, ajuda a manter a umidade do solo e altera o microclima da lavoura. Entretanto, o excesso de sombreamento e a menor circulação de ar podem favorecer algumas doenças.

Por isso, o produtor deve observar quanto tempo a cultura leva para cobrir o solo após a emergência. Plantas mais ramificadas tendem a fechar as entrelinhas mais rapidamente. Em ambientes quentes e secos, essa característica pode ser vantajosa. Já em regiões mais úmidas e com histórico de doenças foliares, é necessário maior cuidado com a densidade de semeadura e o manejo fitossanitário.

Acamamento pode comprometer a colheita

O risco de acamamento deve ser avaliado especialmente depois de ventos fortes ou chuvas intensas. Plantas inclinadas ou completamente deitadas indicam maior atenção para a arquitetura da lavoura.

Em cultivares de porte mais alto e com muito engalhamento, também é importante verificar a resistência do caule principal e das inserções dos ramos. Caules finos e compridos podem aumentar a tendência de tombamento. Quando ocorre acamamento, a colheita mecânica fica mais difícil, as perdas de grãos podem aumentar e o ambiente próximo às plantas pode se tornar mais favorável a doenças de vagens e grãos.

Clima interfere no potencial produtivo do feijão

O feijão pode ser semeado de janeiro a dezembro, dependendo da região, da disponibilidade de água e da temperatura. A época de cultivo influencia diretamente o desenvolvimento da planta, o engalhamento e a produtividade. Temperaturas muito elevadas durante o florescimento aumentam o aborto de flores e podem reduzir o número de vagens. Condições mais amenas tendem a favorecer a formação e o enchimento dos grãos.

O fotoperíodo também pode influenciar algumas cultivares, embora o feijoeiro seja relativamente pouco sensível ao comprimento do dia. As alterações podem afetar levemente o ciclo e a arquitetura das plantas.

A disponibilidade de água é outro fator determinante. Sob déficit hídrico, a planta tende a emitir menos ramos e nós férteis, podendo apresentar menor altura e menor ramificação. Em condições de alta fertilidade e boa disponibilidade de água, plantas bem nutridas e irrigadas tendem a emitir mais ramos. Dependendo da cultivar, entretanto, isso também pode elevar o risco de acamamento.

Avaliação orienta decisões de manejo

A avaliação do potencial produtivo e do engalhamento não deve servir apenas para contabilizar estruturas. Os resultados podem orientar decisões de manejo ainda durante o ciclo. Lavouras com engalhamento muito baixo, folhas pequenas e coloração pálida podem apresentar limitações nutricionais ou hídricas. Nesses casos, análises de solo e folhas ajudam a complementar o diagnóstico. Durante o florescimento e o enchimento de grãos, a ocorrência de abortamento de flores e de vagens malformadas pode auxiliar na avaliação do manejo da irrigação, quando esse recurso estiver disponível.

O nível de cobertura do solo também ajuda a definir a necessidade de atenção ao controle de plantas daninhas. Áreas com pouco engalhamento e solo mais exposto podem apresentar maior competição com plantas invasoras. Para as próximas safras, a comparação entre cultivares em faixas de teste dentro da propriedade permite registrar diferenças de porte, engalhamento e formação de vagens ao longo do ciclo.

Características do feijão devem ser acompanhadas com apoio técnico

A avaliação visual e quantitativa do feijoeiro é uma ferramenta importante, mas não substitui análises de solo e tecido foliar, nem o monitoramento sistemático de pragas e doenças.

As estimativas de produtividade baseadas em contagens de vagens e grãos por planta também são aproximações e devem ser interpretadas com cautela, principalmente em lavouras desuniformes. O acompanhamento de um engenheiro agrônomo permite integrar as informações observadas no campo aos dados climáticos e às recomendações de pesquisa, contribuindo para decisões de manejo mais precisas.

Segundo as referências apresentadas no material, trabalhos sobre melhoramento, manejo, crescimento, desenvolvimento e arquitetura do feijoeiro ajudam a embasar a avaliação dessas características na cultura.

O que observar no feijão antes de estimar a produtividade

Para avaliar o potencial produtivo e o engalhamento, o produtor deve acompanhar o estande, a uniformidade das plantas, o número de ramos produtivos, os nós férteis, as flores, as vagens e os grãos. Também é necessário observar o porte da cultivar, o fechamento das entrelinhas, a resistência ao acamamento e a resposta das plantas às condições de água, temperatura, fertilidade e manejo.

O registro dessas informações ao longo das safras permite comparar materiais genéticos e estratégias de manejo, além de identificar limitações recorrentes dentro da propriedade.

As referências indicadas no conteúdo incluem trabalhos de Abreu, Ramalho e Santos sobre melhoramento do feijoeiro-comum; estudos de Arf e colaboradores sobre manejo da cultura; a publicação da Embrapa Feijão: melhoramento genético no Brasil; o trabalho de Stone e Moreira sobre crescimento e desenvolvimento; e estudo de Valentini e colaboradores sobre arquitetura de planta e produtividade.

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