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Feijão: calor, seca e pragas ameaçam formação de vagens

Manejo no florescimento pode preservar vagens


Foto: Canva

O manejo do feijão no estádio reprodutivo exige atenção à água, nutrição e controle de pragas e doenças para reduzir o abortamento de flores e vagens. Segundo informações do material técnico apresentado, o período, que vai da emissão dos primeiros botões florais (R5) até o enchimento das vagens (R9), é decisivo para definir o potencial produtivo da lavoura.

Nessa fase, o feijoeiro direciona recursos para a emissão de flores, polinização, fecundação e desenvolvimento das vagens e grãos. Como a planta naturalmente produz mais flores do que consegue sustentar até o fim do ciclo, parte da queda é fisiológica.

O problema ocorre quando o abortamento supera o padrão esperado. Segundo informações do material técnico apresentado, estresses relacionados à falta ou ao excesso de água, desequilíbrios nutricionais, temperaturas extremas, doenças, pragas e plantas daninhas podem aumentar a perda de estruturas reprodutivas.

A disponibilidade de água está entre os principais pontos de atenção. O feijoeiro é sensível às variações de umidade durante a floração e a formação das vagens. Tanto a seca quanto o encharcamento podem reduzir a fotossíntese e o transporte de fotoassimilados para as estruturas reprodutivas.

Períodos de seca próximos à floração são especialmente críticos em áreas de sequeiro. Já nas áreas irrigadas, o excesso de água também deve ser evitado, pois grandes oscilações entre períodos secos e úmidos podem provocar estresse e favorecer o abortamento.

A nutrição também interfere diretamente no pegamento das flores e na formação das vagens. Segundo informações do material técnico apresentado, deficiências de nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes como boro, zinco e molibdênio podem comprometer o desenvolvimento reprodutivo.

O nitrogênio participa do desenvolvimento vegetativo e da sustentação das estruturas reprodutivas. O fósforo está relacionado ao fornecimento de energia para a fecundação e o desenvolvimento inicial das vagens, enquanto o potássio contribui para o controle dos estômatos, o transporte de açúcares e a resistência a estresses.

Boro e zinco são apontados como importantes para a viabilidade do pólen, a formação do tubo polínico e o desenvolvimento dos tecidos reprodutivos. O molibdênio também integra o grupo de micronutrientes que merece atenção no manejo da cultura.

As temperaturas extremas representam outro risco durante o florescimento. Segundo informações do material técnico apresentado, temperaturas diurnas acima de 30 °C a 32 °C podem reduzir a viabilidade do pólen e provocar a queda de flores recém-abertas.

No extremo oposto, temperaturas próximas de 10 °C a 12 °C também podem prejudicar a fecundação e o desenvolvimento inicial das vagens. Em diferentes regiões produtoras, períodos de calor ou frio fora de época podem coincidir com o florescimento e elevar o abortamento.

Doenças também podem comprometer o desempenho reprodutivo do feijoeiro. Patógenos que reduzem a área foliar verde e a fotossíntese, como os associados à antracnose, ferrugem e manchas foliares, diminuem o aporte de fotoassimilados para as flores.

Podridões de vagens e doenças que atingem pedúnculos também podem provocar a perda direta de estruturas reprodutivas.

As pragas exigem monitoramento durante a emissão de botões, flores e formação das primeiras vagens. Percevejos, tripes e mosca-branca podem danificar estruturas reprodutivas e provocar estresse fisiológico pela sucção de seiva.

Besouros e lagartas também podem destruir flores e pequenas vagens. Segundo informações do material técnico apresentado, a ocorrência de pragas acima dos níveis toleráveis durante a floração e a formação das vagens está diretamente associada ao aumento da queda dessas estruturas.

A competição com plantas daninhas pode agravar o problema. Ao disputar água, luz e nutrientes, as plantas daninhas podem reduzir a área foliar e as reservas do feijoeiro antes da entrada no período reprodutivo.

Nem toda queda de flor, porém, significa falha de manejo. O feijoeiro descarta naturalmente parte das flores e pequenas vagens para ajustar sua carga produtiva à capacidade de suporte da planta.

Entre os sinais de que o abortamento pode estar acima do normal estão a queda intensa e contínua de flores poucos dias após a abertura, a baixa formação de vagens em ramos com grande emissão de flores e a presença de muitas vagens chochas ou muito pequenas.

Plantas visualmente sadias, mas com baixo número de vagens por planta, também podem indicar problemas relacionados à nutrição, água ou temperatura.

O acompanhamento semanal ajuda a diferenciar o abortamento fisiológico daquele provocado por estresses. Segundo informações do material técnico apresentado, registros de chuva, irrigação, temperatura, adubação, pragas e doenças podem auxiliar na identificação das causas.

O manejo da água deve começar pela avaliação da umidade do solo, considerando textura, profundidade efetiva das raízes e histórico de chuvas e irrigação. Em áreas irrigadas, a recomendação apresentada é manter a umidade próxima à capacidade de campo durante a emissão de botões florais, floração e enchimento dos grãos, evitando encharcamento.

O turno de rega deve considerar a textura do solo, a evapotranspiração e o estádio da cultura. Solos arenosos, por exemplo, exigem intervalos menores entre irrigações. Durante a floração e o enchimento das vagens, o acompanhamento da disponibilidade de água ganha ainda mais importância.

Nas áreas de sequeiro, o planejamento da época de semeadura pode ajudar a reduzir o risco de coincidência entre o florescimento e períodos de estiagem. Segundo informações do material técnico apresentado, a escolha da época deve considerar a regularidade histórica das chuvas na região.

A estratégia nutricional também começa antes da semeadura. A análise de solo deve orientar a correção da acidez e a adubação de plantio, enquanto o acompanhamento da lavoura permite identificar possíveis deficiências durante o desenvolvimento vegetativo.

Aplicações de cobertura e de micronutrientes próximas ao florescimento podem ser consideradas quando houver indicação técnica de deficiência. O material ressalta que essas decisões devem levar em conta análises de solo e foliares e orientação de profissional habilitado.

O nitrogênio merece atenção especial porque tanto a deficiência quanto o excesso podem afetar o desenvolvimento. Enquanto a falta limita o crescimento e a sustentação das estruturas reprodutivas, o excesso pode estimular a vegetação em detrimento da formação de vagens.

O fósforo é importante para o desenvolvimento radicular e a formação de flores e frutos, enquanto o potássio contribui para o controle estomático, o transporte de carboidratos e a resistência à seca.

O controle fitossanitário deve integrar o manejo durante o período reprodutivo. Segundo informações do material técnico apresentado, o produtor deve monitorar semanalmente diferentes pontos da lavoura e observar folhas superiores, botões, flores e vagens.

Medidas preventivas como rotação de culturas, manejo de plantas daninhas hospedeiras, utilização de sementes sadias, tratamento de sementes e semeadura em época recomendada também fazem parte da estratégia.

O material orienta que defensivos agrícolas sejam utilizados quando a infestação ultrapassar o nível de ação ou de dano econômico, sempre de acordo com a bula, o receituário agronômico e as orientações do engenheiro agrônomo.

Durante o florescimento e o enchimento das vagens, também é importante evitar operações mecânicas pesadas que possam causar danos físicos às plantas e flores. O uso de herbicidas seletivos e o respeito às doses e épocas de aplicação ajudam a reduzir o risco de fitotoxicidade tardia.

O manejo do feijão no reprodutivo, portanto, depende da integração de diferentes práticas. A escolha de cultivares adaptadas, o planejamento da semeadura, a correção do solo, a nutrição equilibrada, o controle de plantas daninhas e o monitoramento fitossanitário contribuem para preparar a lavoura antes do florescimento.

Segundo informações do material técnico apresentado, a adoção dessas práticas ao longo de todo o ciclo é importante porque o sucesso no pegamento das flores e vagens não depende apenas das medidas adotadas durante o estádio reprodutivo.

A observação contínua da lavoura também permite aperfeiçoar o manejo. Registros sobre queda de flores, formação de vagens e ocorrência de estresses podem ser relacionados às condições de solo, clima, irrigação e manejo, formando um histórico útil para os próximos ciclos.

O material recomenda ainda atenção à segurança durante o uso de fertilizantes, reguladores de crescimento e defensivos agrícolas. As aplicações devem respeitar doses, intervalos e períodos de carência, além das condições adequadas de temperatura e vento.

A orientação de um engenheiro agrônomo é necessária para decisões relacionadas ao uso de produtos, doses, ajustes nutricionais e alterações importantes no manejo.

Assim, reduzir o abortamento evitável de flores e vagens no feijão exige uma estratégia que combine disponibilidade adequada de água, equilíbrio nutricional, controle fitossanitário e redução de estresses. O objetivo é preservar o maior número possível de estruturas reprodutivas e favorecer a formação de vagens e grãos.

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