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Feijão: identifique a antracnose antes que ela atinja as vagens

Manejo pode evitar perdas na colheita


Foto: Pixabay

O manejo da antracnose do feijão é decisivo durante o florescimento, a formação e o enchimento das vagens, quando a doença causada por Colletotrichum lindemuthianum pode comprometer a produtividade e a qualidade das sementes. Em condições de clima ameno e úmido, o risco aumenta e exige atenção do produtor ao longo do ciclo da cultura, de janeiro a dezembro.

A doença pode provocar abortamento de flores, vagens mal formadas, manchas em vagens e sementes e queda do rendimento comercial. Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, a prevenção combina sementes sadias, cultivares resistentes ou tolerantes, tratamento de sementes, rotação de culturas, manejo da palhada, época adequada de semeadura, monitoramento e uso criterioso de fungicidas.

A antracnose pode atingir o feijoeiro do início ao fim do ciclo, mas os impactos econômicos se tornam mais evidentes no estádio reprodutivo. Nessa fase, a planta direciona energia para flores, vagens e grãos, estruturas que podem ser diretamente comprometidas pelo patógeno.

O ataque pode causar abortamento de flores, formação irregular de vagens, lesões deprimidas e escurecidas e sementes de qualidade inferior. O risco é agravado pela elevada variabilidade do fungo, que apresenta muitas raças fisiológicas. A disseminação também ocorre por sementes infectadas e restos culturais. Áreas com sucessão contínua de feijão e lavouras implantadas com sementes próprias sem análise ou tratamento estão entre as situações que exigem maior atenção.

A antracnose do feijoeiro é causada por Colletotrichum lindemuthianum. Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, o fungo pode sobreviver interna e externamente em sementes infectadas. O patógeno também permanece em restos de cultura deixados na superfície ou incorporados ao solo. Plantas espontâneas de feijão e alguns hospedeiros alternativos também podem contribuir para sua sobrevivência.

No campo, temperaturas moderadas, geralmente entre 18 °C e 24 °C, associadas à alta umidade relativa e ao molhamento foliar prolongado, favorecem o desenvolvimento da doença. Chuvas frequentes, neblina e orvalho intenso podem prolongar o período de molhamento das plantas. O problema tende a ser maior em lavouras muito fechadas, nas quais a circulação de ar é reduzida.

Saiba quais sintomas observar nas vagens e folhas

O monitoramento da lavoura deve ser intensificado a partir do início do florescimento. Segundo dados divulgados pelo material técnico apresentado, os primeiros sinais podem aparecer em diferentes estruturas do feijoeiro.

Nas hastes e pecíolos, podem surgir estrias ou manchas alongadas e escuras, geralmente com bordas definidas e, em alguns casos, deprimidas. Em ataques severos, os ramos podem quebrar ou secar a partir das lesões. Nas nervuras das folhas, principalmente na face inferior, também podem aparecer manchas escuras que evoluem para secamento parcial.

Nas vagens, um dos principais sinais são lesões arredondadas ou alongadas, de coloração marrom-escura a quase negra e com aspecto afundado. Em condições de maior umidade, frutificações do fungo podem aparecer sobre essas áreas. As sementes afetadas apresentam manchas escuras e irregulares, muitas vezes próximas ao hilo. Além de perder qualidade física e fisiológica, podem carregar o fungo para a próxima safra.

Antracnose reduz vagens e compromete a qualidade dos grãos

Durante a formação das vagens, a doença pode afetar diretamente os componentes da produtividade. O abortamento de flores e vagens jovens reduz o número de estruturas que chegam à colheita.

Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, as vagens infectadas podem ficar menores e deformadas, enquanto os grãos podem apresentar desenvolvimento deficiente.

Outro impacto está relacionado à qualidade das sementes. O manchamento prejudica a classificação comercial e pode comprometer a utilização do material como semente em futuros plantios. Tecidos lesionados também podem facilitar a entrada de outros patógenos oportunistas. Em condições favoráveis ao fungo, portanto, os prejuízos podem ocorrer tanto no rendimento quanto no padrão visual exigido pelo mercado.

A tomada de decisão começa pela avaliação da origem e da qualidade da semente. Segundo dados divulgados pelo material técnico apresentado, sementes certificadas e acompanhadas de laudos fitossanitários reduzem o risco de introdução da doença. O histórico da área também deve ser considerado. Talhões com ocorrência recorrente de antracnose exigem rotação de culturas e monitoramento mais intenso durante o estádio reprodutivo.

A presença de restos de feijoeiro infectados na superfície aumenta a pressão de inóculo e deve entrar no planejamento de manejo. As condições climáticas são outro fator importante. Períodos com chuvas frequentes, orvalho intenso e temperaturas amenas favorecem a infecção e a esporulação, independentemente do mês em que ocorram.

Use sementes sadias e tratamento preventivo

A prevenção começa antes do florescimento. Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, o produtor deve priorizar sementes certificadas e com baixa ou nenhuma presença de Colletotrichum lindemuthianum.

O tratamento de sementes com fungicidas registrados para a cultura do feijão também pode reduzir a infecção inicial, atrasando ou minimizando a incidência da doença durante o florescimento e a formação das vagens. A escolha de cultivares com algum nível de resistência ou tolerância é outra ferramenta disponível. Como o fungo apresenta variabilidade de raças, a resistência não necessariamente é total, mas pode contribuir para reduzir a severidade e retardar a evolução da doença.

Evitar a sucessão contínua do feijoeiro na mesma área reduz a possibilidade de sobrevivência do patógeno em restos culturais. Segundo dados divulgados pelo material técnico apresentado, a alternância com culturas não hospedeiras, como gramíneas, contribui para diminuir o inóculo disponível no solo e na palhada. Após a colheita, a incorporação adequada dos restos do feijoeiro pode acelerar a decomposição e reduzir a sobrevivência do fungo. Em sistemas de plantio direto, é necessário considerar a origem da palhada e o histórico de doenças da área. A rotação deve ser ajustada para evitar o acúmulo de inóculo.

A escolha da janela de semeadura pode ajudar a evitar que o florescimento e o enchimento das vagens coincidam com condições climáticas altamente favoráveis à antracnose. Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, densidades adequadas de plantas também ajudam a evitar o excesso de sombreamento e melhoram a circulação de ar. Esse manejo reduz o período de molhamento das folhas e das vagens, diminuindo condições favoráveis à doença.

Intensifique o monitoramento durante a formação das vagens

A partir do início do florescimento, as visitas à lavoura devem ser mais frequentes. O produtor precisa procurar sintomas em nervuras, pecíolos, hastes e vagens em diferentes pontos do talhão. Áreas mais úmidas ou sombreadas merecem atenção especial, assim como as bordaduras.

Segundo dados divulgados pelo material técnico apresentado, a incidência, que corresponde ao percentual de plantas com sintomas, e a severidade, relacionada à intensidade dos sintomas, ajudam a determinar a pressão da doença. Na dúvida, a recomendação apresentada é buscar a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a).

Fungicidas devem ser usados de forma criteriosa

Fungicidas registrados para o controle da antracnose no feijoeiro podem integrar o manejo durante o estádio reprodutivo. A decisão deve considerar o histórico da doença, as condições climáticas e a presença inicial de sintomas na lavoura.

Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, qualquer aplicação deve utilizar produto registrado para a cultura e para o alvo antracnose, respeitando dose, intervalo de aplicação, volume de calda, número máximo de aplicações e período de carência estabelecidos em bula. O uso deve ocorrer mediante receituário agronômico emitido por profissional habilitado. Em focos bem delimitados, podem ser avaliadas ações localizadas, como aplicações dirigidas ou intensificação do monitoramento. Em infestações intensas e avançadas, a eliminação de plantas altamente doentes também pode ser considerada, mas a decisão deve ser avaliada caso a caso com orientação técnica.

O controle da antracnose do feijão não deve ser tratado isoladamente. O manejo da irrigação, por exemplo, precisa evitar o molhamento desnecessário da parte aérea, principalmente durante a noite.

A adubação também deve ser equilibrada. Segundo dados divulgados pelo material técnico apresentado, excesso de nitrogênio pode favorecer o adensamento da folhagem e criar um microclima mais úmido. O controle de outras doenças também deve ser considerado. A utilização de fungicidas para diferentes alvos deve levar em conta o espectro de ação sobre a antracnose, evitando a seleção de resistência e otimizando as aplicações.

Quando o manejo incluir fungicidas, o produtor deve seguir rigorosamente as orientações de rótulo e bula e utilizar somente produtos registrados para o feijão e para o alvo antracnose.

Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, também é necessário utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) indicados para preparo da calda, aplicação e lavagem dos equipamentos. O manejo deve evitar a contaminação de corpos d'água, áreas de preservação permanente e propriedades vizinhas. As embalagens vazias devem ser destinadas corretamente, seguindo os programas de recolhimento e a tríplice lavagem, quando indicada. O receituário agronômico deve ser obtido e respeitado, com emissão por engenheiro(a) agrônomo(a) habilitado(a).

Antes e durante o estádio reprodutivo, o produtor pode verificar:

  • A semente utilizada é certificada e foi tratada com fungicida adequado?
  • A cultivar apresenta algum nível de resistência à antracnose?
  • A área possui histórico da doença?
  • Houve rotação de culturas recente?
  • A densidade de plantas está adequada?
  • O dossel está excessivamente fechado?
  • O florescimento e a formação das vagens coincidem com temperaturas amenas e alta umidade?
  • Existem sintomas nas nervuras, pecíolos, hastes ou vagens?
  • As condições climáticas e o histórico da área justificam o uso de fungicidas?
  • O produto escolhido é registrado e foi receitado por profissional habilitado?
  • A aplicação respeita dose, época, intervalo, volume de calda e período de carência?
  • Os EPIs adequados estão sendo utilizados?
  • Existe planejamento para o manejo dos restos culturais e a rotação após a colheita?

Proteja a produtividade desde o início

O manejo da antracnose do feijão durante a formação das vagens exige uma estratégia integrada. Agir somente depois que as vagens apresentam manchas significa deixar de aproveitar medidas preventivas importantes.

Segundo dados divulgados pelo conteúdo técnico apresentado, a proteção da lavoura depende da combinação de sementes sadias, cultivares adequadas, tratamento de sementes, rotação de culturas, manejo dos restos culturais, densidade e época de semeadura, monitoramento e, quando necessário, uso criterioso de fungicidas. A integração dessas medidas ajuda a reduzir a pressão da doença, preservar a produtividade e manter a qualidade das vagens e sementes colhidas.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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