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Feijão: identifique deficiências de micronutrientes cedo

Atenção aos micronutrientes na fase vegetativa


Foto: Canva

O crescimento vegetativo do feijão é uma fase decisiva para a formação de raízes, caule, folhas e nódulos que sustentam a floração e o enchimento das vagens. Segundo dados apresentados no material técnico, deficiências de Zinco, Boro, Manganês, Ferro, Cobre e Molibdênio podem comprometer o vigor das plantas e precisam ser identificadas com diagnóstico adequado.

Durante essa etapa, que vai da emergência até o início da emissão dos primeiros botões florais, o feijoeiro desenvolve o sistema radicular, amplia a área foliar e forma estruturas importantes para a produtividade. O monitoramento nutricional deve considerar as condições de solo, clima e manejo da lavoura.

O zinco participa da síntese de auxinas, do desenvolvimento radicular e da formação de nós e entrenós. Segundo dados apresentados no material técnico, sua deficiência pode provocar plantas de menor porte, entrenós curtos e folhas novas menores, com coloração verde-clara a amarelada entre as nervuras. O problema tende a ser mais comum em solos com alto teor de fósforo, pH elevado, muito arenosos ou sujeitos à lixiviação. Em situações mais severas, podem surgir manchas esbranquiçadas ou bronzeadas nas folhas, além de redução do diâmetro do caule.

O boro é fundamental para o crescimento dos tecidos jovens, o alongamento das raízes e a integridade estrutural da planta. A deficiência pode ocorrer principalmente em solos arenosos, com baixa matéria orgânica ou após períodos de seca.

Os sintomas incluem necrose ou crescimento irregular dos meristemas, deformação das folhas jovens, além de raízes com menor desenvolvimento e menor quantidade de raízes finas ativas. Em fases posteriores, o problema também pode afetar a formação de vagens.

Já o manganês participa da fotossíntese, da ativação de enzimas e da proteção contra o estresse oxidativo. Segundo dados apresentados no material, sua deficiência é favorecida por solos muito corrigidos com calcário, pH elevado e alto teor de matéria orgânica.

Os principais sinais são clorose internerval em folhas jovens ou intermediárias, com permanência das nervuras mais verdes, além de pequenos pontos ou manchas necróticas. A planta também pode apresentar redução da taxa de crescimento.

O ferro tem papel na formação de clorofila, na respiração celular e no transporte de elétrons. Problemas de disponibilidade são favorecidos por má drenagem, compactação ou pH muito elevado na camada explorada pelas raízes.

A deficiência pode provocar amarelecimento intenso das folhas novas, com nervuras ainda levemente verdes. Em casos graves, as folhas podem ficar quase brancas, acompanhadas de queima nas bordas e forte redução do crescimento das plantas jovens.

O cobre atua na lignificação das paredes celulares, em enzimas relacionadas à respiração e defesa e na resistência mecânica de caules e folhas. Embora sua deficiência seja mais rara, pode ocorrer em solos orgânicos ou muito arenosos.

Entre os sintomas estão folhas murchas nos períodos mais quentes, mesmo com umidade adequada no solo, caules mais finos e menor rigidez das plantas, além de maior suscetibilidade a doenças da parte aérea.

O molibdênio, por sua vez, é indispensável para a fixação biológica de nitrogênio e para a redução de nitrato na planta. Em solos ácidos sem correção adequada, a deficiência pode provocar sintomas semelhantes aos da falta de nitrogênio.

Nesse caso, o feijoeiro pode apresentar amarelecimento generalizado, principalmente nas folhas mais antigas, baixa nodulação ou nódulos pequenos e pouco ativos e atraso no crescimento vegetativo.

As condições do solo e do clima também influenciam diretamente a disponibilidade dos micronutrientes. Segundo dados apresentados no material técnico, pH elevado decorrente de calagem excessiva, solos arenosos, baixa matéria orgânica, acúmulo de fósforo, encharcamento, seca e compactação estão entre os principais fatores de risco.

O diagnóstico, portanto, não deve ser feito apenas pela aparência das plantas. O histórico da área, a análise de solo e a análise foliar ajudam a determinar se existe deficiência e qual elemento está limitando o desenvolvimento. A avaliação deve considerar os teores de zinco, boro, cobre, manganês e ferro, além de parâmetros como pH, matéria orgânica e saturação por bases. Na fase vegetativa, a análise foliar também pode ser utilizada para comparar os níveis encontrados com as faixas de suficiência indicadas por instituições de pesquisa.

A distribuição dos sintomas também pode ajudar na identificação do problema. Deficiências podem aparecer em faixas ou reboleiras relacionadas a diferenças de solo, topografia, drenagem ou manejo localizado. Outro cuidado é descartar causas que podem produzir sintomas semelhantes, como pragas, doenças, fitotoxicidade de herbicidas, deficiência de macronutrientes e encharcamento.

Quando a deficiência é confirmada, o manejo pode envolver medidas preventivas e corretivas. Segundo dados apresentados no material técnico, a correção do pH deve ser planejada para evitar tanto a acidez excessiva quanto a supercalagem, que pode reduzir a disponibilidade de zinco, manganês, ferro e cobre.

 Quando as análises indicam baixos teores, podem ser utilizados fertilizantes contendo micronutrientes, aplicados a lanço ou no sulco de plantio conforme recomendação técnica. O aumento da matéria orgânica, por meio de plantas de cobertura, adubos orgânicos devidamente estabilizados e manejo conservacionista, também pode contribuir para a retenção e o fornecimento gradual desses nutrientes.

Em áreas específicas, correções localizadas no solo podem ser adotadas em faixas ou reboleiras onde a deficiência foi identificada. O ajuste da irrigação e da drenagem também pode reduzir problemas de encharcamento ou estresse hídrico que limitam a absorção.

A adubação foliar pode ser utilizada como estratégia de correção rápida durante o crescimento vegetativo, principalmente quando os sintomas aparecem de forma localizada ou quando problemas climáticos, radiculares ou de compactação restringem a absorção pelas raízes.

Segundo dados apresentados no material técnico, as aplicações foliares devem utilizar produtos registrados e respeitar rótulo e bula. Também é necessário evitar concentrações capazes de causar fitotoxicidade e realizar as aplicações, preferencialmente, em condições de menor radiação e temperatura e com boa umidade relativa.

O manejo nutricional deve ainda ser integrado à escolha de cultivares, irrigação, rotação de culturas e controle da compactação. Sistemas que melhoram a estrutura do solo, aumentam a matéria orgânica e favorecem o desenvolvimento radicular podem contribuir para o melhor aproveitamento dos micronutrientes disponíveis.

O uso de fertilizantes contendo micronutrientes também exige atenção às normas de segurança. Segundo dados apresentados no material técnico, devem ser respeitadas as orientações de rótulo e bula, além das exigências de receituário agronômico quando previstas pela legislação. Durante o preparo e a aplicação das caldas, o material recomenda o uso de equipamentos de proteção individual adequados e o descarte das embalagens vazias em pontos autorizados, conforme os programas de logística reversa. Também deve ser evitada a deriva para áreas vizinhas, cursos d'água, criações animais e áreas de preservação permanente.

A identificação precoce de deficiências no crescimento vegetativo do feijão permite direcionar o manejo antes que os problemas comprometam a formação da estrutura produtiva da planta. A combinação entre observação de campo, análise de solo, análise foliar e histórico da área é fundamental para uma decisão técnica mais segura.

O material técnico reforça que a adubação foliar pode acelerar a correção de determinadas deficiências, mas não substitui o manejo de longo prazo do solo. A estratégia deve combinar calagem adequada, fornecimento de micronutrientes quando necessário e práticas que favoreçam a matéria orgânica e o desenvolvimento das raízes.

A orientação técnica também é essencial para evitar excessos. Micronutrientes aplicados em doses elevadas podem provocar fitotoxicidade e reduzir a produtividade. Por isso, as aplicações devem seguir as recomendações técnicas, o rótulo e a bula dos produtos. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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