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Feijão: monitoramento evita perdas na fase vegetativa

Pragas do feijoeiro exigem identificação correta


Foto: Canva

O crescimento vegetativo do feijão exige monitoramento frequente das lavouras para identificar pragas e evitar perdas de área foliar, estande e potencial produtivo. Da emergência ao início da fase reprodutiva, o manejo deve combinar amostragem, identificação dos insetos, presença de inimigos naturais e níveis de ação para definir quando o controle é necessário.

Monitoramento começa na emergência

O crescimento vegetativo do feijoeiro vai da emergência das plântulas até o início da formação dos botões florais. Nesse período, a planta concentra energia na emissão de folhas, ramos e raízes, formando a estrutura que sustentará a floração, a formação das vagens e o enchimento dos grãos.

Por isso, danos severos à área foliar, falhas de estande ou ataques ao sistema radicular podem comprometer a produtividade potencial. Entre os principais problemas estão insetos mastigadores, sugadores e pragas que vivem no solo.

O dano nem sempre é percebido imediatamente. Quando a desfolha ou a redução do estande se torna evidente, parte do potencial produtivo pode já ter sido comprometida. O monitoramento frequente permite identificar a infestação antes que o problema avance.

Pragas do feijoeiro exigem identificação correta

Entre as principais pragas do feijão na fase vegetativa estão as lagartas desfolhadoras e cortadeiras. Espécies de Spodoptera, como Spodoptera frugiperda, podem consumir folhas e cortar plântulas próximas ao solo.

Os sintomas incluem folhas com recortes irregulares, raspagens e perfurações, além de plantas tombadas ou cortadas próximas ao colo. Em populações elevadas, as lagartas podem reduzir a área foliar e comprometer o estande.

As vaquinhas, grupo que reúne besouros crisomelídeos como Diabrotica spp., também atacam as folhas. Os insetos deixam furos arredondados ou um aspecto rendilhado, com maior impacto quando as plantas ainda são pequenas e têm menor capacidade de compensação.

Os pulgões são insetos sugadores que retiram seiva das folhas e dos caules. O ataque pode provocar encarquilhamento, amarelecimento e redução do crescimento. Em populações elevadas, a remoção de seiva e a injeção de toxinas reduzem o vigor das plantas.

A presença de pulgões também merece atenção pelo risco de transmissão de viroses. Por isso, a identificação e o monitoramento devem começar ainda na fase vegetativa.

A mosca-branca, como Bemisia tabaci em seus diferentes biótipos ou espécies, também se alimenta da seiva, principalmente na face inferior das folhas. O ataque pode causar amarelecimento, perda de vigor e produção de mela, favorecendo a formação de fumagina.

Além dos danos diretos, a mosca-branca pode transmitir viroses ao feijoeiro. O monitoramento precoce é, portanto, importante para identificar a evolução da população.

Os percevejos são mais relevantes na fase reprodutiva, mas algumas espécies podem aparecer desde o crescimento vegetativo e se alimentar de caules e pecíolos. Mesmo quando o dano econômico ainda é menor, o registro da presença desses insetos ajuda a acompanhar a evolução da população.

As pragas de solo também podem provocar problemas desde o início da lavoura. Larvas de corós, larvas-alfinete e outros insetos subterrâneos atacam sementes, raízes e o colo das plantas, provocando falhas de estande, murcha e tombamento.

Como os sintomas na parte aérea podem ser confundidos com problemas de germinação ou estresse hídrico, a inspeção do solo e das raízes é importante, especialmente em áreas com histórico de infestação.

Amostragem orienta a tomada de decisão

O monitoramento deve fazer parte da rotina da propriedade e não ser iniciado apenas quando os danos já estiverem visíveis. A finalidade é acompanhar a população das pragas, identificar sua evolução e verificar também a presença de organismos benéficos.

Durante o crescimento vegetativo, a inspeção pode ser semanal. Em condições favoráveis ao desenvolvimento das pragas, como temperaturas elevadas, histórico de infestação e ausência de chuvas que contribuam para reduzir populações de insetos, a frequência pode chegar a duas avaliações por semana.

A distribuição dos pontos de amostragem deve representar toda a área. A observação não deve ficar restrita às bordaduras ou aos locais de acesso mais fácil.

O caminhamento em zigue-zague ou em formato de “W” pode ser utilizado para distribuir os pontos pela lavoura. Em cada parada, deve ser definido previamente o número de plantas avaliadas, mantendo um padrão entre as diferentes inspeções.

A unidade de amostragem pode ser a planta individual ou um metro linear de fileira. A avaliação pode incluir a contagem de insetos vivos, a porcentagem de desfolha e a proporção de plantas atacadas.

Em áreas com falhas de estande, também é importante examinar o solo e o sistema radicular para verificar a presença de pragas subterrâneas.

Inimigos naturais também entram na avaliação

O monitoramento deve registrar não apenas as pragas, mas também a presença de inimigos naturais. Joaninhas, percevejos predadores, crisopídeos, parasitoides de lagartas e aranhas podem contribuir para reduzir populações de insetos.

No manejo integrado de pragas, essa presença deve ser considerada antes da decisão pelo controle químico. A escolha de produtos e de momentos de aplicação menos prejudiciais aos organismos benéficos ajuda a preservar esse mecanismo natural de controle.

Nível de ação evita aplicações sem necessidade

A decisão de aplicar inseticidas não deve ser tomada apenas pela presença isolada de um inseto. A densidade populacional, o estádio de desenvolvimento do feijoeiro, a velocidade de crescimento da infestação, a presença de inimigos naturais, o histórico da área e a expectativa de dano econômico precisam ser avaliados em conjunto.

Publicações técnicas sobre manejo integrado do feijoeiro apresentam valores de referência para a tomada de decisão. Esses níveis de ação podem ser expressos pelo número de insetos por planta, porcentagem de desfolha ou proporção de plantas atacadas.

Os parâmetros consideram fatores como o custo do controle e o preço do produto colhido. Como os valores podem mudar conforme região, cultivar, tecnologia e sistema de produção, o material recomenda utilizar essas referências como guia e ajustá-las com apoio da assistência técnica.

A decisão de utilizar inseticidas deve considerar ainda as informações de rótulo e bula, o receituário agronômico obrigatório e as normas de segurança. A orientação técnica direta de um engenheiro agrônomo é necessária para a definição do manejo específico da lavoura.

Manejo cultural reduz a pressão de pragas

Antes de recorrer ao controle químico, o planejamento do sistema de produção pode ajudar a reduzir a pressão de pragas. A rotação de culturas, por exemplo, pode diminuir a sobrevivência de determinados insetos associados ao feijoeiro no solo e na palhada.

O manejo dos restos culturais também precisa ser considerado. Resíduos de culturas anteriores que estejam infestados podem servir de abrigo e alimento para pragas e favorecer sua migração para a nova lavoura.

A época de semeadura pode ser ajustada para períodos de menor risco de explosão populacional de determinadas pragas, considerando o histórico local e as informações meteorológicas.

O vigor do estande também interfere na capacidade da planta de suportar danos moderados. Sementes de boa qualidade, correção e adubação adequadas e bom manejo da umidade contribuem para o estabelecimento das plantas.

Controle biológico complementa o manejo

O controle biológico pode ocorrer pela ação de organismos que já estão presentes na lavoura ou pela utilização de inimigos naturais produzidos comercialmente, quando disponíveis.

No manejo integrado, evitar pulverizações desnecessárias, reduzir o uso de inseticidas de amplo espectro quando houver alternativas seletivas e preservar áreas de vegetação próximas, que podem servir de abrigo para organismos benéficos, são medidas que contribuem para esse componente do sistema.

Inseticida deve ser escolhido conforme o alvo

Quando o monitoramento indicar que a população se aproxima ou ultrapassa o nível de ação, o controle químico pode ser necessário. A escolha do produto deve considerar a praga predominante e a eficiência sobre o alvo, buscando reduzir os impactos sobre os inimigos naturais.

O modo de ação também precisa entrar no planejamento. A alternância de grupos químicos ao longo do ciclo ajuda a reduzir o risco de seleção de populações resistentes.

O estádio da praga influencia a eficiência de algumas moléculas. Lagartas jovens e populações de pulgões ainda no início da colonização, por exemplo, podem apresentar maior resposta a determinados tratamentos, o que reforça a importância do monitoramento frequente.

As condições ambientais e o horário de aplicação também precisam ser avaliados. Horários com temperaturas menores e ventos reduzidos podem melhorar a aplicação e diminuir a deriva. Também é necessário evitar tratamentos diante de risco de chuva iminente quando houver possibilidade de lavagem do produto, sempre de acordo com a bula.

A tecnologia de aplicação deve ser regulada conforme o porte das plantas e o alvo. Pontas, pressão, volume de calda e velocidade do equipamento precisam ser ajustados de acordo com as recomendações técnicas.

Produtos que não estejam registrados para a cultura do feijão e para a praga-alvo não devem ser utilizados. As aplicações precisam seguir rótulo, bula e prescrição de engenheiro agrônomo.

Água, plantas daninhas e nutrição interferem no manejo

O controle de pragas durante o crescimento vegetativo está ligado a outras práticas da lavoura. Áreas com elevada infestação de plantas daninhas podem servir como hospedeiras ou refúgios para diferentes pragas e facilitar sua migração para o feijoeiro.

O manejo da irrigação também precisa ser acompanhado. Tanto o déficit quanto o excesso de água podem provocar estresse nas plantas e reduzir sua capacidade de suportar danos causados por insetos.

As condições de umidade e temperatura do dossel também influenciam o desenvolvimento de determinadas pragas e de seus inimigos naturais.

A nutrição é outro componente. Plantas bem nutridas tendem a apresentar maior vigor, área foliar desenvolvida e capacidade de compensar danos moderados. Desequilíbrios nutricionais, por outro lado, podem aumentar a suscetibilidade a pragas específicas, conforme estudos de fisiologia vegetal.

Segurança deve acompanhar o controle

O uso de defensivos agrícolas exige atenção às normas de segurança e à legislação. A aplicação de inseticidas deve ser baseada em receituário agronômico emitido por profissional habilitado e considerar as condições específicas da lavoura.

Também é necessário utilizar equipamentos de proteção individual adequados durante o preparo da calda, a aplicação e a lavagem dos equipamentos, seguindo as orientações do rótulo e da legislação vigente.

O intervalo de segurança entre a aplicação e a colheita deve ser respeitado, assim como as recomendações para reentrada na área após a pulverização.

As embalagens vazias de defensivos precisam receber a destinação adequada. O material orienta a lavagem conforme as instruções, incluindo tríplice lavagem ou tecnologia equivalente, e a devolução em postos de recebimento autorizados.

Para o produtor, o crescimento vegetativo do feijão deve ser acompanhado desde a emergência, com identificação correta das pragas e registro da evolução das populações. A decisão pelo controle precisa considerar níveis de ação, danos, inimigos naturais e histórico da área, evitando aplicações sem base técnica.

A integração entre monitoramento, medidas culturais, controle biológico e uso criterioso de inseticidas permite estruturar o manejo de acordo com a realidade de cada lavoura. O acompanhamento das informações de campo também ajuda a aprimorar as decisões nas safras seguintes.

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