Feijão: veja onde os preços caíram e subiram em agosto
Exportação bate recorde e Argentina sustenta oferta
Foto: Ibrafe
O mercado de feijão iniciou agosto com comportamentos distintos entre os principais tipos comercializados no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base no Indicador de preços Cepea/CNA, o avanço da colheita da terceira safra, principalmente em áreas irrigadas do Cerrado, ampliou a oferta de feijão carioca e pressionou as cotações, enquanto a oferta restrita de feijão preto na entressafra sustentou os preços.
No curto prazo, a maior disponibilidade de carioca deve manter o mercado pressionado. Já o feijão preto tende a permanecer firme, com as importações da Argentina ajudando a complementar o abastecimento interno.
O aumento da disponibilidade de feijão carioca de melhor qualidade manteve o mercado pressionado no início de agosto. Segundo dados divulgados pelo Cepea, entre 30 de julho e 6 de agosto, os preços do feijão carioca peneira 12 e nota 9 ou superior recuaram, em média, 9,55% nas nove praças acompanhadas. A maior queda ocorreu no Centro-Noroeste Goiano, com retração de 11,20%. No Sul/Sudoeste de Minas Gerais, os preços caíram 6,58%.
Com a redução das margens, parte dos vendedores passou a considerar o armazenamento da produção. A necessidade de liquidez, porém, ainda sustenta a oferta. Segundo o Cepea, a tendência no curto prazo permanece de pressão sobre as cotações, condicionada ao avanço da colheita da terceira safra e à intensidade da demanda.
Os lotes de feijão carioca de notas 8 e 8,5 também registraram desvalorização no período. Segundo dados divulgados pelo Cepea, os preços recuaram, em média, 7,43% entre 30 de julho e 6 de agosto nas seis praças monitoradas. A retração variou de 5,67% no Leste Goiano a 9,18% em Itapeva (SP).
A maior disponibilidade de produto e a preferência dos compradores por grãos de qualidade superior influenciaram o movimento. A pequena diferença de preços entre os padrões de qualidade favoreceu a aquisição de lotes superiores e reduziu a demanda pelos grãos de notas 8 e 8,5. Dessa forma, o segmento também deve permanecer pressionado enquanto a oferta da terceira safra seguir elevada, de acordo com dados divulgados pelo Cepea.
O feijão preto apresentou comportamento diferente do carioca no início de agosto. Segundo dados divulgados pelo Cepea, os preços do feijão preto tipo 1 avançaram, em média, 1,37% entre 30 de julho e 6 de agosto nas praças acompanhadas. No Oeste Catarinense, a menor disposição dos produtores em comercializar resultou em valorização de 4,28%.
Em Itapeva (SP), por outro lado, os estoques das agroindústrias reduziram a necessidade de novas compras e os preços recuaram 1%. A oferta doméstica restrita durante a entressafra sustenta o mercado, enquanto as importações, principalmente da Argentina, complementam a disponibilidade interna e contribuem para o equilíbrio do abastecimento.
O comércio exterior também apresentou forte movimentação em julho. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de feijão alcançaram 106,82 mil toneladas no mês, o maior volume mensal da série histórica iniciada em 1997. A Índia concentrou 81,8% dos embarques, enquanto os feijões do grupo Vigna representaram 93,1% do volume exportado. Apesar do recorde, a composição das exportações limita os efeitos sobre o mercado doméstico.
Segundo dados divulgados pelo Cepea, os embarques estão concentrados em variedades destinadas principalmente ao mercado asiático, o que reduz o impacto sobre a disponibilidade de feijão carioca e preto tradicionalmente consumidos no Brasil.
As importações brasileiras de feijão somaram 6,23 mil toneladas em julho. Segundo dados divulgados pelo Cepea, 70,4% desse volume corresponderam ao feijão preto, reforçando a importância das compras externas para o abastecimento durante a entressafra.
A Argentina respondeu por 99,8% das importações brasileiras no mês. Com isso, o país mantém papel central na complementação da oferta nacional de feijão preto, enquanto o mercado de carioca segue sob influência direta do avanço da terceira safra.