Experimentos sobre infiltração de água na Fenasoja 2026
Atividades mostram impactos da compactação do solo e promovem conservação
Foto: Divulgação
Experimentos didáticos apresentados pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Cerro Largo chamam a atenção dos visitantes no espaço da Emater/RS-Ascar na Exporural, durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa. Através da parceria entre as instituições, estruturas transparentes demonstram, de forma visual, como a água se comporta em diferentes condições de solo e quais os impactos da compactação sobre a infiltração e a erosão e, consequentemente, sobre a produção agrícola.
A feira segue até domingo (10/05), no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, e reúne diversas ações voltadas à conservação e recuperação do solo. Nos experimentos levados pela UFFS, o público consegue observar a diferença entre um solo bem estruturado e outro com camada compactada.
De acordo com o professor Douglas Rodrigo Kaiser, da UFFS - Campus Cerro Largo, a proposta é traduzir conceitos técnicos de forma simples e visual. "Aqui a gente tem alguns experimentos didáticos para mostrar como é que a água infiltra no solo, quais são os fatores que favorecem a infiltração de água, e quais fatores vão limitar, dificultar que a água infiltre no solo", explica.
Em uma das estruturas, é apresentada a relação de um solo com boa porosidade e a capacidade de absorção e armazenamento de água. "A água da chuva vai cair na superfície, e ela vai conseguir infiltrar, vai descer e recarregar esse solo com água, deixando uma boa disponibilidade de água no solo e para as plantas também", detalha o professor.
Ao lado, outro experimento apresenta o mesmo tipo de solo, porém com uma camada compactada. Segundo Kaiser, a compactação altera a estrutura do perfil e dificulta a movimentação da água. "A água da chuva entra no solo, mas ela chega nessa camada compactada e tem dificuldade de infiltrar, então ela não consegue descer em profundidade no perfil para recarregar esse solo", afirma.
O professor destaca ainda que a água que deixa de infiltrar pode escoar pela superfície, provocando erosão e perdas produtivas. Além disso, a compactação também interfere no crescimento das raízes. "Essa camada compactada pode limitar depois o movimento da raiz, e as plantas vão ter acesso a uma menor quantidade de água, o que compromete a produtividade", ressalta.
Durante as atividades na Exporural, extensionistas rurais da Emater/RS-Ascar e profissionais da UFFS também orientam os visitantes sobre práticas voltadas à melhoria da estrutura do solo e ao aumento da infiltração de água. Entre as estratégias apresentadas estão a rotação de culturas e o uso de plantas de serviço.
Conforme o professor, espécies como milho, milheto, capim-sudão e braquiárias possuem sistema radicular vigoroso e auxiliam na descompactação natural do solo, podendo ser utilizadas tanto em sistemas de rotação quanto no período de entressafra.
A utilização dessas plantas, especialmente após a colheita da soja, contribui para evitar áreas em pousio e favorece a formação de um solo mais estruturado, com maior capacidade de infiltração e armazenamento de água. "Essas plantas vão fazer esse trabalho de estruturar o solo, criar um solo bem poroso para essa água infiltrar no solo em quantidade, para minimizar problemas de deficiência e reduzir problemas de erosão", conclui o professor.