Fertilizante caro é o que o solo não absorve
A análise destaca que solos degradados comprometem diretamente a eficiência
A análise destaca que solos degradados comprometem diretamente a eficiência da adubação - Foto: Divulgação
O aumento dos custos com fertilizantes e a instabilidade do mercado internacional têm ampliado a preocupação do agronegócio brasileiro com a eficiência da adubação nas lavouras. Segundo Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa, parte significativa do investimento feito pelos produtores se perde porque muitos solos não estão biologicamente e estruturalmente preparados para absorver os nutrientes aplicados.
De acordo com a avaliação do especialista, o problema vai além da tecnologia de aplicação. Ferramentas como taxa variável e mapas de fertilidade ajudam na distribuição dos insumos, mas não resolvem limitações relacionadas à qualidade do solo. A baixa atividade biológica, restrições físicas e desequilíbrios químicos dificultam o desenvolvimento das raízes, reduzindo a capacidade das plantas de aproveitar o fertilizante.
A análise destaca que solos degradados comprometem diretamente a eficiência da adubação. Sem raízes profundas e ambiente biologicamente ativo, os nutrientes permanecem indisponíveis ou são perdidos no sistema produtivo. Nesse cenário, o fertilizante mais caro passa a ser justamente aquele que não é absorvido pela planta.
A agricultura regenerativa surge como alternativa para melhorar a saúde do solo e aumentar o retorno sobre os insumos utilizados. Entre as ferramentas disponíveis está o BeCrop, plataforma que utiliza análise de microbioma para identificar quais microrganismos estão ativos no solo e o que eles indicam sobre ciclagem de nutrientes, supressividade e equilíbrio biológico.
A proposta da tecnologia é oferecer recomendações baseadas em dados reais, reduzindo decisões tomadas apenas por estimativas. O objetivo é criar uma relação mais eficiente entre o fertilizante aplicado e o nutriente efetivamente absorvido pelas plantas, ampliando a produtividade e o aproveitamento dos insumos.