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Fertilizantes: veja por que demanda deve recuar no Brasil

Importações de ureia recuam 31% em 2026


Foto: Canva

A demanda por fertilizantes deve desacelerar no Brasil em 2026, após um ano de recorde nas entregas. Segundo dados divulgados pela RaboResearch, do Rabobank, os volumes entregues no país podem recuar para 45,1 milhões de toneladas, diante da pressão financeira sobre os produtores e dos preços elevados dos insumos.

Em 2025, as entregas de fertilizantes no Brasil atingiram 49,1 milhões de toneladas, alta de 8% em relação a 2024. A retração já era esperada para 2026 diante da persistência das dificuldades financeiras enfrentadas pelos agricultores.

Segundo dado, as taxas de inadimplência em níveis recordes continuam limitando os produtores brasileiros, que buscam reduzir o endividamento e recompor os balanços financeiros.

A previsão da RaboResearch é que esse ciclo de ajuste permaneça por mais 18 meses. Com isso, a redução de custos continua como uma das prioridades dos produtores, enquanto os preços dos fertilizantes elevados no início de 2026 reforçam a expectativa de queda nas entregas. O conflito no Oriente Médio trouxe uma nova pressão para os agricultores brasileiros. Segundo dados divulgados pela RaboResearch, o índice de acessibilidade aos fertilizantes no Brasil caiu de 0,05 em janeiro para -0,14 em abril.

A acessibilidade aos fertilizantes nitrogenados apresentou uma deterioração ainda mais acentuada. O indicador passou de 0,22 para -0,25 no mesmo período, dificultando a aquisição dos insumos pelos produtores. Com a redução da acessibilidade, as importações de ureia e MAP recuaram de forma significativa no primeiro semestre de 2026.

Segundo dados divulgados pela RaboResearch, os volumes importados de MAP ficaram 24% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Considerando os nutrientes, medidos em P2O5, a queda foi menor, de cerca de 8%.

A diferença ocorreu devido ao aumento de aproximadamente 40% nas importações de TSP. No caso da ureia, as importações recuaram 31% na comparação anual, enquanto as compras de nitrogênio, considerando o nutriente N, ficaram cerca de 22% abaixo dos níveis registrados um ano antes.

Os atrasos nas importações de Ureia, por sua vez, representam um ponto de atenção para a próxima safra de milho safrinha, com início previsto para janeiro de 2027.  A acessibilidade à ureia atingiu o ponto mínimo em abril, mas apresentou recuperação nos meses seguintes. O indicador chegou a 0,19 em julho.

A melhora pode estimular a demanda dos agricultores nos próximos meses. Com isso, a expectativa é de aumento nas importações de ureia e de redução da diferença em relação aos volumes registrados em 2025.

O cenário para o MAP é considerado mais complexo. Segundo dados divulgados pela RaboResearch, os preços internacionais permanecem elevados, o que reduz a possibilidade de recuperação da demanda interna na mesma proporção observada para a ureia.

Nesse ambiente, há pouco incentivo para ampliar as importações e diminuir a diferença em relação aos níveis de 2025. A expectativa é que os agricultores voltem a utilizar os estoques de P2O5 presentes no solo, estratégia que também foi observada em 2022.

Para o Potássio, o cenário permanece mais confortável. Segundo dados divulgados pela RaboResearch, as importações no primeiro semestre de 2026 ficaram 6% acima dos volumes registrados em 2025, em um movimento associado à estabilidade dos preços internacionais.

A RaboResearch reduziu em abril de 2026 a previsão para as entregas de fertilizantes no Brasil para 47 milhões de toneladas. Em julho, a estimativa foi revisada novamente para o patamar atual de 45,1 milhões de toneladas.

Segundo dados divulgados pela RaboResearch, ainda existe possibilidade de uma nova revisão para baixo, diante da continuidade das incertezas relacionadas ao cenário no Oriente Médio.

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