Fixação biológica reduz custo e sustenta produtividade
A soja moderna se apoia na simbiose entre a planta e bactérias
A soja moderna se apoia na simbiose entre a planta e bactérias - Foto: Divulgação
A viabilidade econômica da soja em larga escala está ligada à eficiência do manejo de Nitrogênio e ao funcionamento de processos biológicos no solo. Segundo Marcus Lourenço, o Polé, biólogo, questionar a sustentabilidade do sistema sem a atuação do Bradyrhizobium ajuda a medir a importância dessa associação para a cultura.
A soja moderna se apoia na simbiose entre a planta e bactérias do gênero Bradyrhizobium, que transformam o nitrogênio atmosférico em uma forma aproveitável pela cultura. Essa interação reduz de maneira expressiva a necessidade de fertilizantes nitrogenados, contribui para manter altos níveis de produtividade e permite a formação de proteína vegetal com elevada eficiência biológica.
Na comparação com o uso de ureia, a diferença envolve desempenho agronômico, custo e estabilidade. O fertilizante nitrogenado está sujeito a perdas por volatilização, lixiviação e desnitrificação, além de ter eficiência variável conforme o manejo e gerar despesas recorrentes por hectare. A fixação biológica, por outro lado, oferece uma fonte renovável de nitrogênio, integrada à fisiologia da planta e com custo muito baixo por área.
Estudos citados no material, atribuídos à Embrapa, a Hungria e colaboradores e a Peoples e Herridge, indicam que a fixação biológica pode atender grande parte ou até toda a demanda de nitrogênio da soja, dependendo do sistema adotado. Sem essa interação, o custo por hectare poderia mudar de forma profunda a estrutura econômica da produção.
A discussão vai além da escolha entre uma fonte química e outra biológica. Ela reforça que a agricultura moderna depende de interações ecológicas funcionais e levanta uma questão central: sem o Bradyrhizobium, o atual modelo de produção de soja manteria sua viabilidade econômica?