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Floração da cana pode reduzir açúcar e elevar teor de fibra

Saiba o que muda no canavial quando a cana entra em floração


Foto: Divulgação

Escolha de variedades, equilíbrio nutricional e ajuste da colheita ajudam a reduzir os impactos do florescimento sobre o açúcar e a qualidade da matéria-prima.

A floração é uma etapa natural do desenvolvimento da cana-de-açúcar, mas pode causar perdas quando ocorre de forma intensa ou desuniforme. Nessa fase, a planta passa a direcionar parte de suas reservas para a formação das flores, reduzindo a quantidade de açúcar acumulada nos colmos.

O processo pode afetar tanto a produtividade no campo quanto o rendimento na indústria. Entre os principais impactos estão a redução de POL e ATR, o aumento do teor de fibra, a maturação irregular e a maior ocorrência de colmos quebrados ou acamados.

A POL indica a quantidade aparente de sacarose presente na cana. Já o ATR, sigla para Açúcares Totais Recuperáveis, representa a quantidade de açúcar que pode ser aproveitada pela indústria. Quando esses índices diminuem, o rendimento obtido por tonelada de cana também pode ser menor.

A floração depende da combinação entre a variedade cultivada e as condições do ambiente. Fotoperíodo, temperatura, idade da planta, disponibilidade de água e estado nutricional influenciam a entrada da cana no estágio reprodutivo.

O fotoperíodo corresponde ao número de horas de luz ao longo do dia. Em determinadas condições, dias ainda relativamente longos e noites mais frescas estimulam a planta a iniciar o processo de floração. A panícula, nome dado à flor da cana, aparece somente alguns meses depois.

Algumas variedades apresentam maior tendência ao florescimento, enquanto outras respondem menos aos mesmos estímulos. Por isso, conhecer o comportamento de cada cultivar na região é uma das principais medidas de prevenção.

Em áreas com histórico de alta floração, a recomendação é priorizar variedades menos propensas ao problema. Também é importante evitar a concentração de materiais muito floríferos em grandes áreas. A combinação de variedades precoces, médias e tardias ajuda a distribuir os riscos e facilita a organização da colheita.

As datas de plantio e corte também influenciam o resultado. Quando a planta chega à fase mais sensível justamente no período de maior estímulo climático, o risco de floração aumenta. O escalonamento do plantio e da colheita pode evitar que muitos talhões fiquem suscetíveis ao mesmo tempo.

O acompanhamento do canavial permite identificar as áreas de maior risco. Devem ser observados o histórico do talhão, a variedade plantada, a idade das plantas, o vigor da lavoura e as condições climáticas.

Quando um talhão apresenta forte tendência à floração e já atingiu condições mínimas de maturação, a antecipação da colheita pode ser considerada. A medida reduz o tempo em que a planta direciona suas reservas para a formação das flores.

Nem toda ocorrência de floração, porém, exige mudança imediata no planejamento. A decisão deve levar em conta a intensidade do problema, a maturação da cana, a capacidade de processamento da indústria e o custo de alterar o cronograma de corte.

A nutrição equilibrada também faz parte do manejo. Excesso ou falta de nutrientes pode alterar o crescimento e a maturação da cultura. O material recomenda atenção especial ao nitrogênio, já que aplicações excessivas próximas ao período de indução floral podem prolongar o crescimento vegetativo.

As recomendações de adubação devem ser baseadas em análises de solo e, quando possível, de tecidos vegetais. Potássio, fósforo e micronutrientes precisam ser fornecidos de acordo com as necessidades da lavoura e as orientações técnicas regionais.

Em áreas com colmos quebrados ou acamados, a colheita mecanizada também requer ajustes. Velocidade da máquina, altura de corte e regulagem dos extratores devem ser avaliadas para diminuir perdas e evitar o excesso de impurezas na carga.

Reguladores de crescimento e maturadores podem ser considerados em situações específicas, desde que sejam registrados e tecnicamente indicados. Esses produtos não substituem o planejamento do canavial e devem ser utilizados apenas com receituário agronômico, respeito ao rótulo e à bula e acompanhamento de profissional habilitado.

O manejo da floração começa, portanto, antes do aparecimento das panículas. Histórico dos talhões, escolha das variedades, calendário de plantio e corte, nutrição equilibrada e monitoramento constante precisam fazer parte de uma mesma estratégia.

Embora não seja possível impedir completamente um processo natural da planta, o planejamento permite identificar os talhões mais vulneráveis, ajustar a ordem de colheita e reduzir os efeitos sobre a produtividade e a qualidade da cana entregue à indústria.

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