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Floração do caju aponta para safra de 140 mil/t

O quadro está bastante favorável para a safra de caju deste ano superar a de 2007 nos cultivos do Estado


A julgar pela floração que se estende e permanece boa, a safra de caju este ano deve mais do que dobrar a colheita obtida em 2007, que foi de apenas 60 mil toneladas. De acordo com estimativa da Coordenadoria Estadual de Cajucultura da Ematerce, deverão ser colhidas cerca de 140 mil toneladas, numa área de 380 mil hectares. A perspectiva é boa e deixa produtores e empresários das indústrias de beneficiamento bastante otimistas.

O Ceará é o maior produtor de caju do Brasil e o produto tem importância fundamental para a economia do Estado, pois a castanha integra a pauta de exportação. A recente subida do dólar favorece as empresas exportadoras. A safra de caju começou em setembro passado. No campo, os pequenos produtores estão animados com a colheita. O litoral cearense e a região do Baixo Jaguaribe, que incluem os municípios de Morada Nova, Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte, Jaguaruana, Palhano e Russas são as principais áreas produtoras. Respondem por 90% do plantio no Estado.

Segundo dados da Ematerce, em 60 municípios que estão na área zoneada de produção de caju, há 57 mil produtores. A grande maioria são pequenos agricultores, porquanto os dados mostram que 64% das áreas de produção têm até 10 hectares. “Isso mostra o peso da agricultura familiar, da participação do pequeno produtor na cajucultura”, observa o coordenador estadual da cajucultura, agrônomo Egberto Targino Bonfim. “Nós estimamos que só no campo são gerados 25 mil empregos diretos”.

O agrônomo Targino está otimista com a perspectiva de uma boa safra. A permanência da floração é um sinal de continuação da produção de frutos, mas nem sempre essa realidade reflete uma certeza. “Estamos animados, mas com o pé atrás”, observou. “Às vezes, a natureza muda e a flor do cajueiro cai, revertendo todo o quadro estimado”, adverte.

De acordo com Targino, fatores como temperatura elevada, velocidade do vento e umidade baixa ou muito elevada contribuem para o aparecimento de pragas e queda da floração. “O que podemos afirmar no momento é que a perspectiva é boa”. O tempo vai revelar a permanência ou não do quadro favorável da safra deste ano.

Apesar de ser o maior produtor brasileiro, o Ceará apresenta uma baixa produtividade. Isso se deve à permanência do cajueiro antigo, comum, que chega a ocupar 70% das áreas de produção. A produtividade da variedade gigante é de apenas 250 quilos por hectare. Já o cajueiro-anão precoce atinge quatro vezes mais, isto é, chega a 1000kg/ha.

Para mudar essa realidade, a Ematerce tem um programa de distribuição de mudas de caju-anão precoce enxertado para os pequenos produtores. Em 2007, foram entregues 500 mil mudas. Neste ano, um milhão e para 2009, está prevista a entrega de 800 mil. “A prioridade é para as áreas zoneadas e assistimos 8 mil pequenos agricultores numa área de 35 mil hectares de cultivo.

Targino observa que o pequeno produtor tem prejuízo com a atividade se apenas vender o fruto e a castanha no mercado local de forma “in natura”. “É preciso agregar valor, fazendo melhor aproveitamento do pedúnculo, que pode ser beneficiado e transformado em diversos produtos”, disse. Os exemplos são variados: rapadura, mel, doce, vinho, suco, licor, cajuína, caju cristalizado, entre outros itens.

Com o objetivo de aumentar a produtividade, a Ematerce dá continuidade ao trabalho de assistência técnica aos pequenos produtores, orienta a substituição de copas em cajueiros comuns improdutivos, faz a distribuição de mudas de variedades anão precoce e dá cursos e treinamento sobre os tratos culturais e sistema de produção. “Estamos oferecendo como alternativa econômica e mais uma opção, o plantio de caju na região do Cariri”, disse Targino. “É a expansão de áreas de produção no Estado”.

HONÓRIO BARBOSA
Repórter

Trabalho

25 mil empregos diretos são gerados no campo pelo cultivo de caju no Estado. São 57 mil produtores, sendo 64% das áreas de plantio com até 10 hectares, segundo a Secretaria do Desenvolvimento Agrário

Mais informações:
Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA)/ Ematerce
Av. Bezerra de Menezes, 1.820
Fortaleza (CE)
(85) 3101.7628

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