Fosfertil acelera projeto que pode gerar aporte bilionário
A Fosfertil definirá ainda neste primeiro semestre o futuro da exploração de sua mina de fosfato em Patrocínio, no oeste de Minas Gerais
Afora a cautela de praxe, Lopes não esconde o entusiasmo com a mina de Patrocínio, localizada na Serra do Salitre e cujos direitos detém já há alguns anos. Como acontece com a mina que explora em Tapira, também no oeste mineiro, os direitos de exploração da mina são divididos com a Vale. Em caso de exploração comercial, a parceria prevê que o minério de fósforo fique com a Fosfertil e os demais, com a sócia. Não são todas as minas da Fosfertil que seguem esse modelo. Em Catalão, no leste de Goiás, os direitos são apenas da companhia.
Em Patrocínio, afirma Lopes, a jazida é grande mas só a Fosfertil está investindo nos estudos de viabilidade para explorá-la. E, uma vez viável, o aumento de capacidade será expressivo. Somado às expansões em curso nas minas de Catalão e Tapira e ao incremento da produção de fosfatados no complexo industrial que a empresa mantém em Uberaba (MG) - que estão absorvendo investimentos da ordem de R$ 300 milhões neste ano -, o executivo acredita que a companhia dobrará de tamanho.
Atualmente, informa, a Fosfertil produz cerca de 800 mil toneladas de ácido fosfórico por ano.
Um projeto para a produção de 1 milhão de toneladas anuais de ácido fosfórico tem investimentos totais estimados pela Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA) em US$ 1,5 bilhão, com prazo de maturação previsto em três ou quatro anos. Nesta frente, os principais projetos de expansão atualmente em curso no mundo estão localizados na China, no Marrocos, na Rússia e nos Estados Unidos, de acordo com a entidade.
Vital Jorge Lopes não nega que os estudos ganharam fôlego em Patrocínio a partir da forte elevação dos preços dos fertilizantes no mercado internacional. Com reflexos diretos sobre os preços do insumo praticados no Brasil, que importa entre 65% e 70% de sua demanda total, a valorização do insumo, que supera 100% no último ano, inclusive já ganhou a alcunha de "vilã da agroinflação".
No primeiro trimestre de 2008, a Fosfertil comercializou 326 mil toneladas de produtos fosfatados de alta concentração, além de 157 mil toneladas de fosfatados de baixa concentração. No total, a Fosfertil produziu 2,8 milhões de toneladas de produtos de janeiro a março de 2008, 1% a mais que no mesmo intervalo do ano passado.
Com a demanda batendo recordes sucessivos e os bons preços, a Fosfertil encerrou o primeiro trimestre do ano com receita líquida consolidada de R$ 606,8 milhões, 29% superior à obtida em igual período de 2007. O lucro líquido consolidado da empresa, por sua vez, aumentou 155% na mesma comparação, para R$ 128,4 milhões.
A empresa é controlada pela holding Fertifos. Esta, por sua vez, é dominada pelas multinacionais americanas Bunge e Mosaic e pela norueguesa Yara, concorrentes entre si nas vendas de produtos finais ao produtor. Mosaic e Yara ainda questionam na Justiça o projeto de incorporação da Bunge Fertilizantes pela Fosfertil.