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Frigorífico fecha unidade em Maringá (PR)

A falta de perspectiva para a retomada das exportações levou o Garantia a fechar


A falta de perspectiva para a retomada das exportações de carne levou o Frigorífico Garantia, localizado em Maringá (PR), a encerrar as atividades nessa quinta-feira (05-04). O Garantia tinha a maior e uma das mais antigas plantas industriais do Estado. Cerca de 800 funcionários foram demitidos. Segundo cálculos do Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná (Sindicarnes), desde outubro de 2005 - quando foram levantados embargos em função da suspeita de febre aftosa - o Paraná deixou de exportar cerca de US$ 400 milhões.

Entre 85% e 90% das exportações do Garantia tinham como destino a União Européia, que suspendeu as compras do Paraná. A partir daí, a produção foi direcionada para o consumo interno e para "mercados secundários", que compravam em pequena quantidade. Por isso, desde o início da crise, o frigorífico vem passando por reestruturações. Ao longo do ano passado, por exemplo, outros 600 funcionários já haviam sido demitidos. No mês passado, a empresa havia concedido férias coletivas.

A escala de produção também foi modificada. Em outubro de 2005, a produção era de 1,4 mil cabeças por dia; no ano passado, os abates caíram para cerca de 300 cabeças/dia. "A capacidade operacional mínima da planta era de 800 cabeças por dia", informou o advogado do Garantia, Marcos Rodrigo de Oliveira. Ele preferiu não divulgar o prejuízo acumulado do frigorífico. "Não havia expectativa de abertura do mercado, o que tornou inviável a continuidade das atividades", observou Oliveira.

No entanto, ele informou que quando o Paraná ficar livre dos embargos o frigorífico irá retomar os trabalhos. "Inclusive, os funcionários terão garantia de preferência nas contratações", disse. O grupo do Garantia tem outras três plantas industriais, duas estão localizadas no Mato Grosso do Sul e a outra em São Paulo. No total, são cerca de 1,2 mil empregos. O Garantia foi atingido mais diretamente pela febre aftosa porque os outros dois Estados também estão impedidos de exportar. Desta forma, os contratos não puderam ser realocados para unidades do mesmo grupo.

"Mas as outras unidades continuam funcionando normalmente. São unidades menores, com mais competitividade porque têm custo operacional mais baixo", comentou o advogado. Para o Sindicarnes, mais um frigorífico fechado pode significar queda maior no preço da arroba bovina. "É natural (a queda de preços) porque haverá uma sobreoferta, mas tudo vai depender do comportamento dos pecuaristas. Se eles reduzirem a oferta de animais é provável que o preço se mantenha", avaliou o economista Gustavo Fanaya.

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