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Funcex espera crescimento de 10% nas exportações


A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) considera que "em um cenário razoável”, as exportações cresceriam cerca de 10% este ano, com superávit ficando em até US$ 16 bilhões. A projeção consta do Boletim Funcex de Comércio Exterior deste mês, divulgado hoje (31-01). O aumento de 10% é meta para as exportações colocada pelo ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Luiz Fernando Furlan.

O Boletim registra que nas primeiras quatro semanas de janeiro, a balança acumulou um superávit de US$ 888 milhões. Isso projeta um saldo de US$ 1,1 bilhão no fechamento do mês - "extremamente elevado para o padrão sazonal" - 20,8% mais alto que no mesmo período do ano passado, segundo a Funcex. Já as importações caíram 4% em relação ao mesmo período de 2002, o que, de acordo com a Funcex, mostra recuperação das compras no exterior, já que as importações no ano passado, que foram de US$ 47,2 bilhões, caíram 15% em relação a 2001.

Enquanto isso, as exportações mantiveram o ritmo de crescimento que vem desde julho do ano passado, que foi de 20%, em média, a cada mês, sobre o mesmo mês de 2001. De acordo com o Boletim, o superávit comercial de 2002, de US$ 13,1 bilhões surpreendeu pela velocidade do ajuste, pela magnitude da queda das importações, que ficou em US$ 47,2 bilhões, 15% menos que no ano anterior, "e pela vigorosa reação das exportações no segundo semestre".

A Funcex lembra que até junho, as exportações estavam com queda no acumulado do ano de 13,4%, mas com a recuperação do segundo semestre, as exportações alcançaram US$ 60,4 bilhões, com aumento de 3,7% sobre 2001.

A Funcex diz ainda, em seu boletim, que "é razoável esperar-se que o ritmo recente das exportações se mantenha nos primeiros seis meses de 2003". Depois disso, o ritmo deve diminuir, devido à maior base de comparação do segundo semestre do ano passado, mas devendo atingir o crescimento de cerca de 10%, considerando um crescimento do PIB de 2% e a taxa de câmbio média de R$ 3,50 por dólar em 2003.

Segundo o boletim, depois do crescimento esperado neste primeiro semestre, se as exportações de julho a dezembro ficassem nos mesmos valores que no mesmo período do ano passado, já haveria um crescimento das exportações de 8,3%. Para as importações, a Funcex espera um crescimento entre 6% e 8% este ano. Com isso, o saldo atingiria a faixa entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões. "Um saldo muito superior a este dependeria de um câmbio mais desvalorizado e de um menor crescimento doméstico", diz o texto, citando também outros fatores que, no momento, parecem improváveis, como um crescimento maior da economia mundial, uma rápida recuperação das vendas para a Argentina ou um forte aumento dos preços das “commodities” de exportação.

O boletim lembra também que uma guerra no Oriente Médio poderia provocar efeitos negativos sobre a balança, "especialmente sobre os preços do petróleo e sobre o crescimento das exportações de manufaturados, devido a uma possível desaceleração do crescimento mundial, especialmente dos Estados Unidos”.

O Brasil não está se beneficiando da alta das “commodities” em geral no mercado internacional. Segundo a Funcex, das principais exportadas pelo Brasil, apenas soja em grão, óleo de soja e petróleo em bruto mostram crescimento de preços. Em outras “commodities” importantes para o Brasil estão em queda como café (-11%), farelo de soja (-3,4%), açúcar (-22,3%), celulose (-12,5%) e fumo (-8,3%).

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