Fungo transforma aranhas em zumbis
O processo lembra o comportamento já observado em outro fungo conhecido
O processo lembra o comportamento já observado em outro fungo conhecido - Foto: Divulgação
A Universidade Federal de Viçosa descobriu na Mata Atlântica de Minas Gerais uma nova espécie de fungo parasita capaz de alterar o comportamento de aranhas antes de matá-las, em um achado que amplia o conhecimento sobre biodiversidade e parasitismo no Brasil. Batizado de Gibellula mineira, o organismo foi identificado em uma área de floresta dentro da própria instituição e passou a chamar a atenção pelo modo como atua sobre seus hospedeiros.
O fungo ganhou o apelido de “fungo zumbi” por sua capacidade de interferir no comportamento das aranhas que infecta, principalmente da espécie Iguarima censoria. De acordo com o material divulgado, ele conduz o hospedeiro a locais com condições ideais de umidade, temperatura e circulação de ar, ambiente mais favorável para seu desenvolvimento e para a liberação de esporos.
O processo lembra o comportamento já observado em outro fungo conhecido da ciência, o Ophiocordyceps unilateralis, que atua sobre formigas. No caso da nova espécie brasileira, os pesquisadores ainda buscam entender quais mecanismos moleculares estão por trás da parasitação e da alteração comportamental registrada nas aranhas.
Além do aspecto curioso, a descoberta tem relevância científica por abrir novas frentes de estudo em áreas como biologia, ecologia e bioquímica. O registro também reforça a importância da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, onde ainda surgem espécies desconhecidas mesmo em regiões já pesquisadas. O achado de Gibellula mineira mostra que os ecossistemas brasileiros ainda guardam interações pouco conhecidas e destaca como organismos microscópicos podem revelar processos complexos de evolução e adaptação na natureza.