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Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights, produzida pela Grão Direto e divulgada nesta segunda-feira (4), a instabilidade climática segue como principal fator de formação de preços para o milho safrinha. O avanço de uma massa de ar polar elevou o risco de geadas no Sul, enquanto a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia indica continuidade do tempo seco em regiões como Goiás e Mato Grosso do Sul. “Esse cenário aumenta o risco de perdas, especialmente nas áreas plantadas mais tarde, e tende a elevar os prêmios nos contratos futuros da B3”, aponta a análise.
No mercado internacional, a atenção se volta ao relatório Crop Progress do Departamento de Agricultura dos Estados Unido. Segundo a Grainsights, o plantio do milho nos Estados Unidos avança dentro das margens projetadas. “Se o avanço das plantadeiras nos EUA confirmar um ritmo forte nesta próxima semana, isso poderá atuar como um fator de pressão baixista para as cotações em Chicago”, destaca o relatório.
No cenário interno, a demanda da indústria de bioenergia é apontada como fator de sustentação dos preços. De acordo com a análise, o etanol de milho mantém rentabilidade e competitividade em meio à alta do petróleo, o que intensifica a atuação das usinas do Centro-Oeste na compra do grão. “O etanol de milho manteve excelente rentabilidade e competitividade devido à escalada internacional do petróleo, forçando as usinas do Centro-Oeste a atuarem agressivamente na originação do grão físico para garantir a robusta moagem do segundo semestre”, informa.
O relatório também destaca riscos no comércio exterior, especialmente diante das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Segundo a Grainsights, o país é um dos principais importadores do milho brasileiro, e as interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz geram preocupação. “O mercado teme que milhões de toneladas de milho nacional percam a segurança logística e sejam represadas, sobrecarregando ainda mais os estoques do mercado interno”, aponta o documento.
No campo macroeconômico, a análise indica que o mercado iniciou o mês ajustando expectativas após decisões da chamada “Superquarta”. A manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve, entre 3,5% e 3,75%, combinada ao corte da taxa Selic para 14,50% pelo Comitê de Política Monetária, contribuiu para a valorização do dólar frente ao real. “Esse câmbio forte é a principal alavanca atual do produtor para compensar a queda dos prêmios portuários. É fundamental que o produtor esteja atento às oscilações do mercado e, principalmente, aos seus custos de produção”, conclui a análise.