Genética pode garantir até 15 sacas a mais em ano ruim
A quebra em momentos de adversidades pode ser menor
A quebra em momentos de adversidades pode ser menor - Foto: Divulgação
O melhoramento genético da soja avança como ferramenta para reduzir os impactos de condições adversas no campo. Além de ampliar o potencial produtivo, a seleção de variedades busca garantir maior estabilidade diante de seca, excesso de água e pressão de nematoides, fatores capazes de provocar perdas expressivas nas lavouras.
Em Mato Grosso, a BRG Brasil Genética trabalha no desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições do Cerrado. Criada em 2021 pelo engenheiro agrônomo Antonio Ayrton Morceli Junior, a startup concentra esforços em produtividade e resistência a nematoides, especialmente os de cisto e de galha.
Segundo Morceli, plantas com raízes menos comprometidas pelos nematoides podem preservar melhor o desempenho quando também enfrentam déficit hídrico. Em situações severas, essa característica pode representar diferença relevante na produtividade e na rentabilidade do agricultor. “Variedades com resistência ou tolerância ao problema podem apresentar maior capacidade de manutenção do desempenho em condições adversas”, destaca.
A empresa também pretende reduzir o ciclo de desenvolvimento de novas variedades. Enquanto o processo convencional pode levar cerca de dez anos, o projeto trabalha com uma meta de sete anos. Após quatro anos e meio de pesquisa, já existem materiais aptos a avançar para registro.
As cultivares serão dos produtores associados, por meio da entidade que financia o projeto e deterá a titularidade dos materiais. O programa utiliza biologia molecular, mas mantém como base métodos tradicionais já validados, enquanto acompanha tecnologias como edição genética e seleção genômica ampla.
“A tendência é que o produtor passe a olhar não apenas para quanto uma variedade produz em condições ideais, mas também para quanto ela consegue preservar quando as condições deixam de ser favoráveis”, finaliza o engenheiro agrônomo.