Geopolítica ganha força no mercado de algodão
“A geopolítica deixou de ser um fator periférico"
“A geopolítica deixou de ser um fator periférico" - Foto: Canva
O mercado global de algodão inicia o segundo trimestre de 2026 sob influência crescente de fatores externos que aumentam a volatilidade e reduzem a previsibilidade dos negócios. Questões geopolíticas, incertezas climáticas, movimentação de fundos e gargalos logísticos estão entre os principais elementos que vêm alterando a dinâmica tradicional de oferta e demanda.
De acordo com a Artigas do Brasil, os conflitos no Oriente Médio seguem pressionando rotas marítimas estratégicas, elevando custos de frete, seguros e prazos de entrega. Esse cenário tem impacto direto no fluxo do comércio internacional e reforça a instabilidade do mercado.
“A geopolítica deixou de ser um fator periférico. Tornou-se o principal motor do mercado. Interrupções em corredores marítimos críticos estão impactando custos, prazos e a confiabilidade das entregas”, afirma Danny Van Namen, sócio da Artigas do Brasil, com sede em São Paulo.
Além disso, problemas logísticos continuam limitando a disponibilidade efetiva da pluma, mesmo diante de uma oferta global considerada robusta. No Brasil, a dificuldade de escoamento amplia a diferença entre o volume produzido e o que realmente chega ao mercado externo.
No campo, a seca persistente nos Estados Unidos eleva o risco de perdas na produção, enquanto o aumento dos custos favorece a migração para culturas concorrentes, como milho e soja. Esse conjunto de fatores pode afetar a oferta global no próximo ciclo.
A avaliação da consultoria indica que a tendência é de maior concentração da oferta exportável em poucos países, com destaque para Brasil e Estados Unidos. Esse movimento aumenta a sensibilidade do mercado a eventos regionais.