Gestão e diversificação do crédito moldam o futuro do agronegócio
Mercado de capitais deixou de ser uma tendência futura
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Assunto foi tema do “Plano Safra 2026: Cenários, Crédito e Decisões Estratégicas para o Agro”
As transformações no cenário do crédito rural e a evolução dos instrumentos de financiamento tem ampliado o debate sobre o futuro do agronegócio brasileiro. Mais do que acompanhar as mudanças no Plano Safra, produtores e empresas do setor vem sendo desafiados a adotar uma gestão cada vez mais estratégica, diversificando as fontes de recursos e fortalecendo sua capacidade de adaptação diante de um mercado em constante evolução.
Esses foram alguns dos principais temas abordados pelo advogado e especialista em Direito do Agronegócio, André Passos, sócio-fundador do Passos e Sticca Advogados Associados (PSAA), durante o evento "Plano Safra 2026: Cenários, Créditos e Decisões Estratégicas para o Agro", realizado essa semana pela EDEXLAB, conveniada da FGV, e pela ESPD, em Ribeirão Preto (SP). O encontro promoveu uma análise dos desafios e das oportunidades do setor, destacando o crédito rural, a gestão estratégica e o mercado de capitais como pilares essenciais para a sustentabilidade, a competitividade e o crescimento do agronegócio.
Ao tratar do acesso aos recursos financeiros, o advogado e professor destacou a importância econômica do agronegócio brasileiro e a necessidade de ampliar as alternativas disponíveis aos produtores. "Cada real investido na agricultura retorna aproximadamente dois reais para a economia, gerando empregos, arrecadação, exportações e bem-estar. Por isso, é fundamental ampliar o acesso do produtor aos recursos e facilitar a utilização das ferramentas jurídicas, dos títulos e das plataformas tecnológicas que hoje tornam esse processo mais simples e eficiente", esclareceu.
Segundo Passos, a evolução das soluções digitais e dos sistemas eletrônicos tem contribuído para aproximar produtores das novas modalidades de financiamento, reduzindo burocracias e tornando mais acessível a utilização de instrumentos financeiros que antes estavam restritos a operações mais complexas. Em um ambiente marcado por oscilações de mercado, mudanças regulatórias e novas exigências financeiras, administrar o negócio com planejamento passa a ser tão importante quanto produzir. "O mundo está cheio de desafios e cheio de oportunidades. A questão é como eu me posiciono em relação a isso, e, para isso, eu preciso de gestão”, afirmou o jurista.
Para Passos, o produtor rural assume, cada vez mais, o papel de gestor, sendo responsável por decisões que envolvem planejamento financeiro, sucessão, governança e avaliação de riscos. Nesse contexto, investir em conhecimento e profissionalização se torna um diferencial competitivo para enfrentar um mercado cada vez mais dinâmico e em constante evolução que dependerá, em parte, do Plano Safra previsto para ser lançado na próxima terça-feira (30).
Dentro desse cenário, o mercado de capitais deixou de ser uma tendência futura para se tornar parte da realidade do agronegócio brasileiro. A expansão dos instrumentos privados de financiamento amplia o acesso a recursos e oferece novas possibilidades para produtores e empresas estruturarem seus investimentos. "O mercado de capitais é uma realidade para o agro”, afirmou. Segundo ele, é necessário compreender esses novos instrumentos e desenvolver uma gestão capaz de aproveitar as oportunidades que eles oferecem. “As mudanças estruturais que estão em curso podem gerar resultados positivos para quem estiver preparado", concluiu.