Giberela exige atenção no florescimento do trigo para reduzir risco de micotoxinas
Chuvas e alta umidade durante a fase mais sensível da cultura aumentam o risco
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Por Aline Merladete, com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo.
A giberela do trigo preocupa não apenas pelas perdas de produtividade, mas também pelo risco de micotoxinas nos grãos, principalmente deoxinivalenol (DON). Entre agosto e outubro, muitas lavouras do Paraná e do Rio Grande do Sul passam pelo espigamento e florescimento, período de maior vulnerabilidade à doença.
A doença é causada principalmente pelo fungo Fusarium graminearum. O patógeno pode permanecer em restos de trigo, milho e cevada e liberar esporos que chegam às espigas. Durante o florescimento, chuvas, orvalho e alta umidade favorecem a infecção. O fungo poderá causar abortamento floral e consequente má formação de grãos, que poderão ser perdidos na colheita pelo sistema de ventilação da colhedeira, causando prejuízos de até 60%. Além disso, o fungo contamina o trigo com micotoxinas, que é tóxica a humanos e animais.
Clima e manejo influenciam o risco
A giberela tende a avançar quando há presença de inóculo, trigo em fase suscetível e ambiente favorável. Chuvas frequentes e molhamento prolongado das espigas durante o florescimento aumentam o risco.
Semeadura muito tardia, uso de cultivares suscetíveis e sucessão frequente de culturas hospedeiras também podem elevar a pressão da doença.
Prejuízo chega à qualidade e ao mercado
A infecção pode reduzir o número e o peso dos grãos, além de afetar o peso hectolítrico, a classificação comercial e o rendimento de farinha. A presença de micotoxinas amplia o problema. Dependendo do nível de contaminação, os lotes podem sofrer descontos, rejeição ou restrições de uso e comercialização.
Manejo começa antes do florescimento
Rotação de culturas, escolha de cultivares menos suscetíveis e definição adequada da época de semeadura ajudam a diminuir o risco. O objetivo é reduzir a quantidade de inóculo na área e evitar que o florescimento coincida com períodos de maior frequência de chuvas.
Florescimento é a fase mais crítica
O trigo é mais vulnerável do início do espigamento até cerca de 10 a 15 dias após o florescimento. A antese, quando as anteras ficam expostas, é o principal momento de atenção para o controle. Quando há previsão de chuva, a proteção fungicida precisa estar bem posicionada no início desse período.
Aplicação precisa atingir a espiga
Como a espiga é o alvo principal, a regulagem do pulverizador e a cobertura da planta são decisivas. Pontas adequadas, volume de calda correto e boas condições de aplicação ajudam a melhorar o resultado.
O fungicida reduz a infecção e o desenvolvimento do fungo, mas não elimina micotoxinas que já tenham sido produzidas.
Cuidados seguem após a colheita
Depois da lavoura, a qualidade depende de colheita no momento adequado, secagem rápida e armazenamento em condições secas e aeradas.
Essas medidas não retiram micotoxinas já presentes, mas ajudam a evitar agravamento da contaminação e perdas adicionais de qualidade.
Manejo integrado reduz o risco
O controle da giberela depende da combinação de rotação de culturas, escolha de cultivares com resistência genética, manejo cultural com escalonamento de épocas de semeadura e diversificação de variedades com espigamento em períodos distintos, acompanhamento do clima, uso correto de fungicidas e cuidados pós-colheita.
A integração dessas medidas ajuda a reduzir perdas de produtividade e qualidade de grãos para indústria e de sementes para próximos plantio, diminuindo o risco de lotes fora dos padrões exigidos para comercialização.