Glifosato volta ao centro de disputa bilionária
A Bayer transferiu para a Ruveon as principais atividades relacionadas ao produto
A Bayer transferiu para a Ruveon as atividades de produção, precificação, comercialização e gestão legal - Foto: Leonardo Gottems
A criação de uma empresa exclusiva para concentrar as operações com glifosato nos Estados Unidos recolocou no centro do mercado o peso dos passivos jurídicos e a possibilidade de uma reestruturação mais ampla na área agrícola. A medida separa um negócio bilionário do restante da companhia e abre espaço para diferentes leituras sobre os próximos passos.
A Bayer transferiu para a Ruveon as atividades de produção, precificação, comercialização e gestão legal relacionadas ao Roundup no país. Embora a empresa diga que a mudança já fazia parte do planejamento da divisão agrícola, investidores enxergaram a decisão como uma forma de isolar riscos. No pregão seguinte ao anúncio, as ações subiram mais de 5% em Frankfurt.
O ponto mais sensível continua sendo a longa disputa judicial em torno do herbicida. Há mais de dez anos, a companhia enfrenta processos que associam o uso do glifosato a casos de câncer. Segundo a Bayer, os desembolsos ligados ao caso já superam US$ 10 bilhões desde a compra da Monsanto.
A reorganização ocorreu poucos dias após uma decisão favorável da Suprema Corte dos Estados Unidos. O tribunal entendeu que a companhia não poderia ser responsabilizada por não incluir no rótulo um alerta de risco de câncer que não era exigido pela agência ambiental americana. O resultado reforçou a defesa da empresa, mas não eliminou a pressão jurídica.
A Ruveon também pediu investigações contra importações chinesas de glifosato, alegando concorrência favorecida por subsídios estatais. Para analistas, a nova estrutura pode facilitar uma venda futura, limitar a exposição a processos ou preparar uma reorganização maior. A Bayer nega uma cisão no curto prazo, mas a hipótese voltou ao radar dos investidores.