Gripe A: Risco para grávidas é três vezes maior

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Gripe A: Risco para grávidas é três vezes maior

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RIO DE JANEIRO - As grávidas têm três vezes mais chances de desenvolver complicações decorrentes da gripe suína do que a população em geral. A estatística, segundo o médico Alex Botsaris, é da própria Organização Mundial de Saúde (OMS), que chegou a este índice ao recolher informações sobre gestantes contaminadas em vários países.

– Por isso, é fundamental as gestantes se protegerem o máximo possível. Elas devem usar máscaras se estiverem em locais com muita aglomeração. Enfim, devem evitar ao máximo a contaminação – diz o médico, com especialização em infectologia.

Segundo Botsaris ainda não está claramente determinado pelos cientistas o motivo desta suscetibilidade maior das grávidas. Uma das possibilidades é o fato de elas produzirem, durante a gravidez, maiores quantidades do hormônio estrogênio, que reduz a imunidade.

– A grávida tem um tecido diferente dentro do corpo dela, que é a placenta. Possivelmente, a imunidade cai para não atacar o que o organismo pode considerar um corpo estranho – teoriza o médico.

Outra razão para evitar ao máximo a contaminação é o fato de não haver consenso, segundo o médico, a respeito do uso do antiviral Tamiflu em gestantes.

– Não há informação científica suficiente sobre isso. Mas é evidente que, se a grávida estiver com risco de vida, a opção é usar o remédio – diz.

Segundo o médico, só este risco maior entre as grávidas mostra que o vírus da gripe suína é mais perigoso do que o da sazonal.

– Temos ouvido muito o discurso de que a letalidade é igual, mas o caso das gestantes contradiz isso – comenta.

O próprio ministro da Saúde, José Gomes Temporão, recomendou às grávidas que evitem ficar em locais fechados. A sugestão foi feita esta semana durante o programa “Bom Dia Ministro”, transmitido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

– Eu diria que é uma recomendação inclusive para as mulheres grávidas evitarem ficar muito tempo em ambientes totalmente fechados. Porque esses ambientes podem permitir a circulação do vírus e aumentar a probabilidade de contaminação.

Dentre as mortes provocadas pela gripe suína, há pelos menos quatro casos de grávidas. No Rio, uma gestante, de 29 anos, morreu no último dia 17. Outra gestante, de 27 anos, moradora da capital paulista, morreu no último dia 14 após apresentar febre, tosse e dor torácica. Ela procurou atendimento médico no dia 9 de julho em trabalho de parto. Cinco dias depois passou a apresentar falta de ar e não resistiu. Mas o bebê sobreviveu. No Rio Grande do Sul, no município de Uruguaiana, uma mulher grávida de oito meses também morreu vítima da gripe suína.

Em Campinas, no interior paulista, foi confirmada na sexta-feira, a morte de uma mulher de 20 anos, grávida de sete meses. Moradora de Cosmópolis, no interior paulista, a paciente foi internada em Campinas no dia 17 e faleceu no dia 21.

A Organização Mundial da Saúde afirmou na sexta-feira que mulheres grávidas são um dos grupos de risco em caso de contaminação de gripe suína por terem mais chances de apresentar sintomas graves da doença e até mesmo sofrer aborto espontâneo.

– Mulheres grávidas emergiram como um dos grupos com os quais nós estamos preocupados por ter mais riscos de desenvolver sintomas sérios – disse Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da OMS.

Um relatório da OMS aponta que mulheres grávidas tem maior risco de apresentar “sintomas severos, potencialmente resultando em aborto espontâneo ou morte”. Segundo o relatório, o risco é ainda maior nos segundo e terceiro trimestres da gravidez.

Muitas mulheres grávidas e seus filhos morreram nas últimas semanas de gripe suína, continua o relatório, ressaltando que, em alguns casos, a obesidade pode ter agido como fator de risco.

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