H1N1: também com as aves todo cuidado é pouco

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H1N1: também com as aves todo cuidado é pouco

H1N1: também com as aves todo cuidado é pouco
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Campinas, 24 de Agosto - Aparentemente, os serviços sanitários do Chile “tiraram de letra” o caso de detecção do vírus H1N1 da Influenza A em aves comerciais criadas no país, já que o problema é considerado sob controle e sem maiores riscos de disseminação.

Justifica-se: afinal o país tem uma experiência similar anterior – o desafio surgido com um surto de Influenza Aviária do tipo H7N3, ocorrido no país com reprodutoras de frango em abril de 2002, então controlado em curto espaço de tempo e com plena eficiência.
No caso atual, o episódio envolve duas granjas de reprodutores de peru. A presença do H1N1 nas aves foi confirmada na última quinta-feira, 20 de agosto, e teve como origem inspeções iniciadas em 23 de julho. Nessa ocasião, os serviços veterinários locais foram chamados a levantar as causas de uma significativa queda (de uma média de 70% para apenas 31%) na produção de ovos de dois galpões de reprodutores, problema que vinha combinado com uma redução na qualidade das cascas dos ovos produzidos e, ainda, com uma queda no consumo de água. As aves mantinham o aspecto saudável de sempre, sem nenhum sintoma respiratório nem aumento da mortalidade.
 
Conforme as autoridades chilenas, as granjas afetadas pertencem à mesma empresa, verticalmente integrada, que aplica normalmente as medidas de biosseguridade recomendadas. Foram dois surtos. O primeiro atingiu quatro de cinco galpões existentes na propriedade, instalada em localidade do distrito de Valparaíso. Os problemas observados atingiram inicialmente um dos galpões, estendendo-se horizontalmente a outros três. Já no segundo surto, os cinco galpões da granja (instalada no distrito de Nogalis) foram afetados.

Antes do registro dos primeiros sinais clínicos, algumas aves foram expostas a pessoas com sintomas respiratórios de gripe. Surgidos os problemas iniciais, os lotes afetados foram sistematicamente monitoradas através de testes sorológicos, com resultados negativos até 28 de julho. A serotipia dos organismos isolados possibilitou excluir a presença de vírus dos tipos H5 e H7, mas acabou confirmando a presença do novo vírus H1N1, da Influenza pandêmica de 2009. É mencionado ainda que, realizada a necroscopia de aves do lote afetado, foi detectada a presença de salpingite, peritonite e uma interrupção do desenvolvimento folicular.

Os lotes afetados se encontram sob quarentena e, com certeza, logo serão liberados. O episódio poderia até ser esquecido. Mas isso não vai acontecer, porque se trata do primeiro caso mundial de aves afetadas pelo vírus H1N1 da Influenza. Ou seja: também com as aves todo cuidado é pouco.

Mais ainda no caso da presente pandemia. Porque está claro que o agente infectante das aves foi o próprio homem, sendo pouquíssima provável a hipótese de contaminação através de aves silvestres, como tem ocorrido no Hemisfério Norte com o vírus da Influenza Aviária.

Em suma: até hoje o setor avícola se armou visando defender-se de elementos (aves silvestres, seres humanos, produtos e equipamentos, etc.) estranhos à granja. Agora precisa preocupar-se, também, com os que estão dentro da granja.

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