ICMBio e Embaixada do Japão promovem encontro com empresas japonesas com foco no fortalecimento da sociobioeconomia
Evento reúne empresas e comunidades para fortalecer sociobioeconomia em UCs
Foto: Vivian Toda/Japan House
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Embaixada do Japão no Brasil, promoveu um encontro institucional com empresas japonesas para apresentar oportunidades de cooperação voltadas à conservação da biodiversidade e ao fortalecimento da sociobioeconomia em unidades de conservação (UCs) federais. A iniciativa contou com o apoio do Fundo Vale, no âmbito do Sustenta.Bio, e reuniu representantes do setor privado, lideranças comunitárias e instituições parceiras.
O evento teve como foco a implementação do Programa ECOSociobio: Wa no Mori – Economia e Biodiversidade, iniciativa que busca aproximar diferentes atores em torno de estratégias que integrem conservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento econômico sustentável.
A abertura institucional contou com a participação do presidente do ICMBio, Mauro Pires; do ministro Tomoaki Ishigaki, chefe da Missão Adjunto da Embaixada do Japão no Brasil; e de Carlos Roza, presidente da Japan House São Paulo.
Durante a programação, a coordenadora-geral de Articulação de Políticas Públicas e Economias da Sociobiodiversidade do ICMBio, Tatiana Rehder, apresentou as diretrizes e objetivos do Programa. Em seguida, Márcia Soares, da Gerência de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, compartilhou experiências desenvolvidas por meio da parceria entre o Fundo e o Instituto na iniciativa Sustenta.Bio.
Também foi apresentada uma proposta de expedição voltada a representantes de empresas e instituições interessadas em conhecer iniciativas de sociobioeconomia desenvolvidas em algumas unidades de conservação. A experiência prevê uma imersão em territórios onde a conservação da biodiversidade, os modos de vida tradicionais e as economias sustentáveis se articulam na prática.
Manoel Cunha, líder comunitário e gestor da Reserva Extrativista do Médio Juruá, no Amazonas, compartilhou experiências de conservação e geração de renda desenvolvidas na Amazônia, destacando a importância de iniciativas que conciliem proteção ambiental, fortalecimento comunitário e desenvolvimento local.
“Nós, povos e comunidades tradicionais, estamos na floresta cumprindo um papel muito importante para o Brasil e para o mundo: conservar a biodiversidade e os ecossistemas, ao mesmo tempo em que garantimos nosso sustento de forma sustentável, a partir dos conhecimentos transmitidos pelos nossos antepassados”, colocou a liderança.
Como desdobramento do encontro, estão previstas novas agendas de diálogo, reuniões institucionais e aproximações com empresas interessadas em apoiar, investir ou estabelecer parcerias relacionadas ao Programa ECOSociobio e às iniciativas territoriais apresentadas durante o evento.
Sabores que conectam biodiversidade e culturas
A cultura alimentar japonesa também integrou a programação como elemento de aproximação entre diferentes territórios e tradições. Um menu especial elaborado pela chef Telma Shimizu apresentou releituras contemporâneas que combinaram técnicas da culinária japonesa com ingredientes oriundos da sociobiodiversidade brasileira.
Entre os produtos utilizados estavam o pirarucu de manejo sustentável comercializado pela Associação de Produtores Rurais de Carauari (Asproc), por meio da marca coletiva Gosto da Amazônia, além de tucupi produzido por agroindústria familiar amazônica, mel de abelhas nativas e frutos como pequi, mangaba e açaí.
A proposta buscou demonstrar o potencial da sociobiodiversidade brasileira como expressão cultural, econômica e ambiental, evidenciando oportunidades de geração de valor associadas à conservação da natureza.
Programa ECOSociobio
O Programa tem como objetivo fortalecer as economias da sociobiodiversidade desenvolvidas por povos e comunidades tradicionais em UCs. A iniciativa promove geração de renda, valorização cultural, conservação ambiental e justiça territorial, reconhecendo a sociobioeconomia como uma das estratégias mais eficientes para aliar proteção da biodiversidade e bem viver.
O programa foi inspirado na iniciativa Sustenta.Bio, parceria entre o ICMBio e o Fundo Vale, que atualmente apoia ações voltadas à sociobioeconomia e à conservação em mais de 15 UCs federais.
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