Inflação de alimentos pode voltar à Europa
Esse ambiente deve tornar mais difíceis as negociações de fim de ano
Esse ambiente deve tornar mais difíceis as negociações de fim de ano - Foto: Pixabay
A inflação dos alimentos pode voltar a pressionar o orçamento das famílias europeias nos próximos meses, em um cenário de energia mais cara e consumo enfraquecido. A avaliação é da RaboResearch, do Rabobank, que prevê um período prolongado de preços elevados de energia e aponta maior probabilidade de alta nos preços dos alimentos na Europa em direção ao fim do ano.
Segundo a análise, o impacto não deve ser imediato, mas tende a aparecer de forma mais clara nas compras de supermercado perto do Natal. A explicação está no peso da energia dentro da cadeia de alimentos, uma indústria intensiva em custos energéticos. Com a manutenção de preços mais altos, as despesas operacionais aumentam em diferentes etapas, da produção à embalagem, passando pelo transporte e pela agricultura.
Esse ambiente deve tornar mais difíceis as negociações de fim de ano entre fabricantes de alimentos, varejistas e operadores de foodservice. A pressão de custos tende a ampliar a disputa sobre repasses de preços, em um momento no qual consumidores já enfrentam perda de poder de compra e menor confiança em vários países europeus.
A RaboResearch avalia que, diante de novas altas nos alimentos, os consumidores devem repetir o comportamento observado nos últimos anos, buscando alternativas mais baratas e reduzindo gastos. No entanto, depois de três anos de ajustes no orçamento, a margem para economias adicionais está mais limitada.
Com isso, uma nova rodada de inflação alimentar pode ter efeitos mais diretos sobre o consumo. O risco apontado é de queda nos volumes vendidos pelo varejo e menor movimento no foodservice, caso o avanço dos preços reduza ainda mais a capacidade de compra das famílias.